Economia

Mais de 71 mil esperam por doações de órgãos no Brasil

Piauí Hoje

Teresinha

26 de outubro de 2008 às 02:10


Na última segunda-feira (20), Maria Augusta Silva dos Anjos, 39 anos, foi submetida a uma cirurgia aguardada com ansiedade desde 2006. Ela é a mulher que recebeu o coração de Eloá Cristina Pimentel, 15 baleada após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado durante cinco dias. A família da vítima autorizou a doação, ainda, dos rins, pâncreas, pulmões, fígado e córneas.A iniciativa dos pais de Eloá certamente trouxe esperança para os mais de 70 mil pacientes que esperam um órgão no Brasil. O caso provavelmente chamou mais atenção do público que a campanha lançada no mês passado pelo Ministério da Saúde, com o slogan "Tempo é vida", em referência ao aspecto mais aflitivo na vida de quem precisa de um transplante.Para que um órgão seja doado, é preciso que a família autorize. "Não é necessário o doador regulamentar sua vontade por escrito, mas é a família que dá a palavra final e se ela souber disso vai respeitar a vontade da pessoa e, certamente, autorizar", diz José Medina Pestana, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e diretor e coordenador da Unidade de Transplantes do Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp.O trabalho das equipes envolvidas na doação e captação de órgãos não é fácil. Pestana ressalta que, além do desafio de convencer os parentes de um potencial doador com morte encefálica comprovada, os procedimentos de retirada e transporte devem ser feitos em tempo hábil para que o órgão doado não seja perdido. De acordo com o Ministério, as notificações de potenciais doadores só ocorre em 50% dos casos e apenas 20% delas são concretizadas. E a conta é simples: menos órgãos aproveitados, mais tempo na fila para receber um órgão.Espera"No primeiro semestre deste ano, foram realizados 8.365 transplantes no país, o que representa um aumento de 15,68% no número de procedimentos com relação ao mesmo período do ano passado, mas podemos aumentar ainda mais este número", diz o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O Brasil detém o maior programa público de transplantes de órgãos e tecidos do mundo, sendo que 95% das intervenções são realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde)."Embora o país tenha uma série de dificuldades econômicas, temos uma medicina de alta complexidade bastante evoluída. O SUS fornece ao transplantado toda medicação necessária para o resto da sua vida. Um custo em torno de R$ 2 mil por mês", revela Medina. O Brasil também é o segundo país no mundo na realização de transplantes, apesar do número alto de pacientes que esperam um órgão.O Novo Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes, lançado pelo Ministério da Saúde no mês passado, prevê a padronização das regras da fila de espera em todos os Estados, além de mecanismos para evitar "tentativas de fraude e irregularidades" como a instalação de um sistema de acompanhamento da situação da fila, pela Internet, somente acessado por pacientes cadastrados.O Governo também divulgou uma consulta pública para colocar em vigor o sistema de "doador expandido", que permite a doação de órgãos entre portadores de hepatites B e C, Aids, doença de Chagas e alguns tipos de tumores intracranianos, com o consentimento do receptor, para aproveitar órgãos até então desperdiçados.

Fonte: Bol



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