Na história de Paulo, 30, e Marta, sua esposa, boa parte da agressividade é culpa da bebida, como em muitos casos de violência doméstica. Ela era ciumenta, ele tinha um histórico de mulherengo e as discussões foram ficando cada vez mais freqüentes e intensas. "Ela vinha pra cima de mim. Azunhava, batia, acabava empurrando e dando uns cascudos", conta Paulo. Depois de virarem uma noite no bar e de um domingo de cerveja, mais uma discussão acabou mal. A mulher partiu para cima de Paulo, que estava com a filha mais nova no braço. Ele a empurrou com a cabeça entre a geladeira e a parede.Marta chamou o Ronda do Quarteirão. Na Delegacia de Mulheres, Paulo confessou ter batido nela. "Assumi meu erro. Não reagi, mas confesso que não imaginava que fosse acontecer tudo o que aconteceu". Foram quase duas semanas na Delegacia de Capturas e outros sete dias no IPPO II. Na primeira audiência, a juíza Rosa Mendonça propôs um acordo. "Depois de me dar sermão e carão, ela disse que se queríamos criar nossa filha, teríamos que mudar, tanto eu quanto ela". O processo está suspenso por seis meses. Nesse período, os dois têm que freqüentar as reuniões do Alcóolicos Anônimos.Há dois meses eles vão juntos aos encontros duas vezes por semana. Marta só falta quando não tem com quem deixar o casal de filhos. "Só dava certo se fosse com ela. Um fortalece o outro", diz Paulo. O período sem beber não mudou só a relação entre os dois. Paulo conta que o convívio com a família dele e dela melhorou e o relacionamento no trabalho também. "Já tinha pensado: um dia vou pro AA. Não achava que seria por mandado da Justiça, mas estou lá mesmo por vontade própria", diz. No fim ele pede: "Escreve que eu agradeço ao coordenador do meu grupo do AA, o São Vicente".
Fonte: Opovo