O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai assinar ainda neste semestre portaria criando a internação domiciliar de pacientes. O secretário estadual de Saúde, Assis Carvalho, afirmou que o ministro José Gomes Temporão encaminhou ao Conselho Nacional de Saúde a proposta para que o Ministério da Saúde financiar a internação hospitalar. Segundo ele, em alguns casos fica mais barato fazer o tratamento de algumas doenças na residência com a presença de enfermeiros, psicólogos e médicos do que transformar os hospitais em grandes hotéis. "É um projeto interessante, está sendo discutido e eu sou partidário da ideia", falou Carvalho. Assis citou o caso do menino Francisco Diêgo, de 13 anos, que estava internado há quatro anos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Hospital Infantil Petrônio Portella com doença neuromuscular degenerativa e foi levado para ser atendido em uma unidade de terapia semi-intensiva na casa de sua família em Altos. "Os médicos afirmaram que Francisco Diêgo sempre terá que viver com a proteção de uma unidade de terapia semi-intensiva por causa da doença que ele tem. Nós discutimos o fato já que terá sempre esse problema era importante ele viver no aconchego domiciliar", declarou. Ele falou que houve diálogo com o Ministério Público Estadual e houve o consenso de o tratamento seria domiciliar. "Graças a Deus a questão foi resolvida. Nós sensibilizamos o município de Altos e foi uma parceria do Estado porque nós demos o tratamento e a manutenção do tratamento com pessoas capacitadas será do Programa Saúde da Família, que é do município", declarou Assis Carvalho, em entrevista concedida no município de São Raimundo Nonato. Francisco Diêgo brinca, estuda e caminha, mas tem que ficar próximo dos equipamentos porque precisa do respiradouro. "No hospital não era possível ficar os integrantes de sua criança durante a visita. Estamos torcendo para que o caso de Diêgo der certo para utilizarmos em outros pacientes, principalmente os que precisam de internações longas, como é o caso dos idosos. Um paciente pode ser atendido em casa do que ficar 180 dias em um hospital", declarou Assis Carvalho. O Conselho Nacional de Saúde considera a internação domiciliar uma forma de humanização do tratamento médico pelo SUS (Sistema Único de Saúde). "Não queremos transformar os hospitais em grandes hotéis. O projeto da internação domiciliar é muito interessante", declarou Assis Carvalho. Caminhando com dificuldades, vestido em uma camisa do time de São Paulo, o garoto Diego Rodrigues, 13 anos, se despediu ontem de pacientes, enfermeiros e médicos do Hospital Infantil Petrônio Portella. O garoto que é portador de uma rara doença neuromuscular degenerativa progressiva saiu do Hospital Infantil Petrônio Portella onde morou na Unidade de Terapia Intensiva por quatro anos e voltou para sua casa em Altos (42 km de Teresina). Em sua saída, Diego despediu-se de todos os funcionários do hospital e saiu andando com o aparelho respiratório sendo levado pela mãe, Socorro Rodrigues, que é atendente de enfermagem. Marcelo Madeira, diretor geral do Hospital Infantil Petrônio Portella, disse que a Secretaria Estadual de Saúde comprou quatro aparelhos, dois ficam na casa de Diego e outros dois no hospital. "Pelo resto da vida dele, ele vai respirar com ajuda de aparelhos", declarou. A Prefeitura de Altos fez um treinamento com o pessoal do PSF que irá fazer o atendimento na casa do Francisco Diêgo.
Fonte: Meio Norte