Um novo aparelho implantado próximo ao coração detecta a falta de oxigênio no músculo cardíaco e avisa com 12 horas de antecedência se o paciente vai infartar ou sofrer uma angina antes de ele sentir sintomas ligados ao infarto, como dor aguda no peito.Quando detecta a alteração no coração, o monitor cardíaco, que se assemelha a um marca-passo, vibra, e um aparelho externo, que fica com o paciente, emite um bipe. Ao ser avisada, a pessoa pode se dirigir ao hospital e ser medicado precocemente.Aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no ano passado, o aparelho começa a ser vendido no Brasil, após passar pela fase de testes que envolveu, por exemplo, o hospital Dante Pazzanese, em São Paulo, onde 20 pacientes tiveram o monitor implantado.A primeira cirurgia fora do protocolo de pesquisa aconteceu no Hospital Beneficência Portuguesa, na última segunda-feira. Nos EUA, o aparelho ainda não foi liberado pela FDA (agência reguladora da área de saúde e alimentos) para uso comercial. Só pode ser usado em pesquisa clínica."O primeiro sinal de que o indivíduo está com isquemia e que pode infartar é a dor. Mas a dor ocorre em torno de seis horas antes da necrose, que é o infarto. Nessa fase da dor, já existe o sofrimento do músculo cardíaco e o risco de morte súbita", explica Silas Galvão, diretor da clínica de ritmologia cardíaca do Beneficência Portuguesa de São Paulo.Segundo ele, até seis horas antes de o doente sentir dor, o aparelho identifica a isquemia. "É como se fosse um eletrocardiograma de dentro do coração. Essas alterações são muito mais precoces do que as captadas pelo eletrocardiograma convencional.Galvão explica que o novo método tem um índice baixo de falso positivo ou seja, de ser acionado sem a situação representar uma emergência: fica em torno de 8%.Doente crônicoO aparelho é indicado apenas para as pessoas com alto risco de isquemia. "É o paciente coronariano crônico, que já não tem o que fazer do ponto de vista de intervenção e que está apresentando isquemia", afirma Galvão.Para o cardiologista José Carlos Pachon, diretor do serviços de arritmia do HCor (Hospital do Coração), a proposta do aparelho é interessante, mas é cedo para falar em uso rotineiro. "Há estudos ainda sendo feitos. Até por isso a FDA ainda não o aprovou para a utilização comercial.Para o médico, uma limitação é o aparelho não funcionar como desfibrilador, ou seja, detectar uma arritmia cardíaca, por exemplo, e já solucioná-la com um choque."Penso que ele seja uma peça importante em um sistema maior que deverá ser desenvolvido em conjunto com o desfibrilador cardíaco."
Fonte: Folha de São Paulo