Ciência & Tecnologia

Para além do cientificismo:a ciência a serviço da vida

Piauí Hoje

Teresinha

05 de dezembro de 2007 às 02:12


(*) Por Valmor BolanO cientista escocês Ian Wilmut, famoso por ter criado a ovelha Dolly (em 1996), a partir da técnica da clonagem, anunciou que desistirá de empreender pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos. Foi uma decisão importante, levando-se em conta o grande debate bioético da atualidade sobre o uso ou não das referidas células-tronco. O dilema ético mais relevante diz respeito ao uso de embriões fecundados. Como salientou o Dr. Herbert Praxedes, "o embrião humano é um ser humano completo e não um projeto de ser ou ainda um amontoado de células indiferenciadas. Ele tem, por isso, toda a grandeza e direitos inerentes à espécie humana. Não pode ser degradado a um animal de laboratório". Mas Ian Wilmut declarou ao jornal britânico "Daily Telegraph" que desistiu de buscar uma licença para poder tentar viabilizar a produção de embriões clonados com o objetivo de extrair células-tronco para tratar doenças, por razões científicas, isso porque já é possível a mesma técnica a partir de células da pele. Dias depois da decisão de Ian Wilmut, o presidente George Bush considerou positivo o sucesso da reprogramação de células da pele humana para atuarem como células-tronco embrionárias. Bush chegou a proibir o uso de verbas públicas federais para fins de pesquisa com células-tronco que utilize embriões humanos. Com isso, os republicanos ficam fortalecidos, pois há agora evidência científica de que há outros métodos possíveis na busca da cura de doenças, além do uso das células-tronco embrionárias. Também o Vaticano celebrou a notícia, por intermédio do Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Elio Sgreccia, lembrando que a Igreja "sempre sustentou a ilegitimidade da clonagem humana e combateu a destruição de embriões".A ciência pode estar a serviço da vida, quando age de acordo com princípios éticos que respeita a vida humana, em todas as suas fases e manifestações, evitando a manipulação genética para o exercício do poder e a desumanização. O limite ético desejado é justamente no sentido de que nem tudo o que é legal é moral, pois as possibilidades científicas e tecnológicas, por atingirem graus de potência, trazem riscos de abuso do poder e até de destruição da própria vida. Nesse sentido é que se faz necessário agir com critério ético, para que prevaleça a aplicação do conhecimento científico e tecnológico em respeito aos direitos humanos fundamentais, especialmente ao direito à vida, o primeiro de todos os direitos.Muitos pesquisadores salientam que não está havendo a devido cuidado ético quanto ao uso de células-tronco embrionárias humanas em pesquisa, tendo em vista que existem alternativas, como por exemplo, o uso de células-tronco adultas. Como explica a Dra. Alice Teixeira Ferreira, Professora Associada de Biofísica da UNIFESP/EPM na área de Biologia Celular - Sinalização Celular, "vem se multiplicando em todo mundo, inclusive no Brasil, o tratamento bem sucedido de doenças degenerativas com células-tronco adultas, que são encontradas em todos os órgãos e em maior quantidade na medula óssea (tutano de osso) e no cordão-umbilical-placenta".Como vemos, as alternativas existentes permitem que a ciência obtenha os resultados desejados, respeitando a vida e o valor da pessoa humana, em todos os aspectos.(*) Valmor Bolan é doutor em Sociologia e reitor do UNIBEROE-mail: reitor@unibero.edu.br

Fonte: Piauí Hoje



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