DESCOBERTA CIENTÍFICA
Natalia Costa
25 de abril de 2026 às 15:08 ▪ Atualizado há 4 horas
Uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) identificou um fóssil de preguiça-gigante no município de Arraial, a cerca de 220 km de Teresina. O animal viveu há aproximadamente 33 mil anos, segundo análise feita por meio de datação científica.
O estudo foi desenvolvido na dissertação de mestrado da pesquisadora Mariana Miranda de Sousa, orientada pelo professor Daniel Fortier, do campus de Floriano. A pesquisa analisou fósseis da espécie Eremotherium laurillardi, um animal de grande porte que habitou as Américas durante o período Pleistoceno.

Descoberta amplia mapa da megafauna no Piauí
Os fósseis desse tipo são mais comuns no sudeste do estado, especialmente na região da Serra da Capivara. Por isso, o registro em Arraial é considerado incomum e relevante para a ciência.
“A gente comumente encontra esses fósseis no sudeste piauiense. O registro em Arraial, no centro-norte, é diferenciado e tem grande relevância para entender a distribuição da espécie”, afirmou a pesquisadora Mariana Miranda.
Como os cientistas descobriram a idade
Para identificar a idade do fóssil, os pesquisadores utilizaram a técnica de datação por carbono-14, que permite estimar há quanto tempo um organismo viveu.
O resultado indicou que a preguiça-gigante viveu cerca de 33 mil anos atrás, antes da extinção da megafauna nas Américas. Parte das análises foi realizada em uma universidade no estado da Geórgia, nos Estados Unidos.

Como era o ambiente no passado
O estudo também investigou o ambiente em que o animal vivia. As análises isotópicas mostraram que a preguiça-gigante tinha uma alimentação baseada principalmente em gramíneas.
“Conseguimos identificar que era um cenário mais frio e úmido, com maior disponibilidade de água”, disse a pesquisadora Mariana Miranda.
Tecnologia ajuda a reconstruir o passado
A pesquisa utilizou ainda a técnica de modelagem de nicho ecológico, que permite estimar onde determinada espécie poderia viver com base nas condições ambientais.
O modelo foi construído a partir de 97 registros da espécie, sendo 37 com datação confirmada. Segundo o orientador professor Daniel Fortier, o estudo ajuda a preencher lacunas sobre a presença da megafauna no Nordeste.
“A principal contribuição é ampliar o conhecimento sobre a ocorrência dessas espécies em regiões ainda pouco estudadas, como o centro-norte do Piauí”, destacou.
A descoberta reforça a importância de explorar novas áreas fora dos sítios já conhecidos e contribui para entender como mudanças climáticas influenciaram a vida e a extinção de grandes animais no passado.
Fonte: UFPI
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