Neste domingo (3 de outubro), o eleitor brasileiro será convidado outra vez a se manifestar nas urnas para escolher seus representantes políticos na Presidência da República, no Senado, na Câmara Federal, nos Governos dos Estados e nas Assembléias Legislativas. Para tanto, terá que colocar em prática uma poderosa arma que poucas vezes lhe foi entregue a partir do golpe getulista de 1937: o voto, o qual, quando exercido corretamente, representa um dos instrumentos capazes de dar curso à reestruturação histórica da cidadania.Apesar de ser uma das maiores conquistas da democracia, a história política brasileira mostra que o eleitor, a grosso modo, não leva muito a sério o valor da arma de que dispõe ou pode dispor no dia das eleições.O que resulta patético, contudo, é saber que a culpa pelo mau uso do voto não cabe exclusivamente ao eleitor, mas aos agentes políticos, que no afã de conquistar o maior número de adeptos, cometem o grave pecado de não dizer ao eleitor a importância e o poder decisório do voto para a vida do País, do Estado e do Município. A falta de informação e as idéias ilusórias propaladas na propaganda eleitoral levam o eleitor a cometer equívocos na hora de escolher o seu representante político.Some-se, ainda, o fato de que a maioria do eleitorado, confuso, não sabe votar ou em quem votar. Alguns são induzidos a fazê-lo por conveniência, ou ainda, por influência do poder econômico que infelizmente ainda vigora.Urge, pois, que no pleito que se aproxima, cada eleitor saiba repensar o voto como instrumento de aperfeiçoamento democrático que corresponde a direitos iguais para todos.Espera-se, enfim, ética política tanto dos eleitores como dos que concorrem a cargos eletivos. Consciência da relevância do voto no processo de escolha é o mínimo que se pode esperar daqueles que têm o dever cívico de construir o espaço em que deve existir, sem sobressaltos, o Estado Democrático de Direito.Des. Valério Chaves.
Fonte: Piauí Hoje