Ciência & Tecnologia

Novos pecados modernos

Piauí Hoje

Teresinha

12 de março de 2008 às 04:03


(*) Por Valmor MolanO Vaticano listou os novos pecados modernos, numa linguagem atualizada, aquele conjunto de ações com consentimento da vontade humana que contrariam a lei natural e ofendem gravemente a Deus. De todos, o maior pecado para a alma é o da manipulação genética, conforme explicou D. Gianfranco Girotti, bispo membro da Penitenciaria Apostólica, tribunal da Cúria Romana. Para ele, "dentro da bioética, há áreas onde devemos denunciar sem qualquer espécie de dúvida, algumas violações dos direitos fundamentais do ser humano, nomeadamente algumas experiências de manipulação genética, cujo resultado é difícil de prever e controlar". Entre os pecados do momento estão a manipulação genética (incluindo o uso de embriões humanos para fins de pesquisa científica), o uso de drogas, que distancia os jovens da Igreja, as desigualdades sociais e a poluição ambiental. De acordo com Giroti, "antes, o pecado tinha uma dimensão individual, hoje tem impacto social, principalmente por causa da globalização. A atenção ao pecado agora é mais urgente devido aos reflexos maiores e mais destruidores".Como vemos são pecados (faltas cometidas contra Deus), de dimensão social, que vêm sendo praticados em larga escala, cada vez mais intensamente, na sociedade fortemente secularizada do mundo globalizado. O papa Bento XVI chama atenção de que vamos perdendo o sentido de pecado, porque vivenciamos também a própria crise do sentido de Deus, numa cultura cada vez mais sem transcendência.O fato é que precisamos estar atentos quanto às inúmeras transgressões à vida, cujas conseqüências vão se tornando perceptíveis por toda a parte, principalmente na degradação do meio-ambiente, na violência dos grandes centros urbanos, na proliferação de novas epidemias (como a Aids), nos conflitos entre pais, filhos e irmãos, no descaso das autoridades públicas para com o bem comum, no aumento da corrupção, etc. Tudo isso sinaliza que realmente algo está muito errado, e, certamente, percebemos que mau uso da liberdade humana (nesse sentido a Igreja entende o pecado), acarreta todos esses problemas, afastando a pessoa humana do ambiente propício á sua felicidade, porque está afastada de Deus.Diante da emergência dessas novas formas de pecado social, urge uma conversão social que permita novas atitudes, a começar por políticas públicas que promovam a família e a dignidade da pessoa humana, especialmente no amparo dos mais fragilizados, pois, como acentuou a Igreja, as desigualdades sociais são também um aspecto perverso da manifestação pecaminosa do nosso tempo. Estamos diante de novos desafios, de juntos trabalharmos pela cultura da vida, para alcançar a redenção necessária e salvaguardar o bem precioso da vida, em todas as suas melhores promissões.(*) VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia e Reitor do UNIBEROE-mail:reitor@unibero.edu.br

Fonte: Piauí Hoje



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction