(*) Por Nazareno FontelesDe 13 a 15 de março, a juventude do Piauí tem uma importante oportunidade de manifestar seu protagonismo e compromisso com o futuro. Nesses dias, Teresina reúne cerca de 1.000 jovens na I Conferência Estadual de Políticas Públicas de Juventude, um espaço de diálogo entre o poder público e a sociedade sobre os desafios do segmento juvenil e quais alternativas devem ser tomadas pelos governos para respondê-los. Os participantes vão eleger 25 delegados para levar um documento final a Brasília, em abril, onde se encontrarão com outros jovens vindos de todo o Brasil para discutir, em conferência Nacional, a situação das pessoas que compõem esta faixa etária e apontar que ações e programas prioritários devem ser desenvolvidos pelo poder público nos próximos anos.Como integrante da Frente Parlamentar da Juventude no Congresso Nacional, venho acompanhando de perto a legítima movimentação da juventude brasileira, em especial a do Piauí. Ano passado tive a honra de ser indicado como um dos representantes da Frente na organização da Conferência Estadual. Desde então procurei fortalecer a inserção de meu mandato no segmento, incentivando a participação dos jovens para que estes identifiquem os desafios e prioridades de atuação para o poder público, mudando o patamar da compreensão da sociedade sobre o tema juventude. Para alcançar esse objetivo, ajudamos a organizar reuniões e pré-conferências em diversas regiões e segmentos. Em todos esses eventos, os debates, os temas, as bandeiras que os jovens levantam e a troca de experiência e conhecimento foram muitos enriquecedores, o que me leva a crer que a Conferência Estadual e, posteriormente, a Nacional, serão momentos importantíssimos do protagonismo juvenil, tão presente em nossa história.Tenho chamado a atenção dos jovens para a importância das políticas públicas priorizarem respostas às necessidades mais prementes do setor. E elas são muitas e profundas. Tive acesso a informações de uma recente pesquisa sobre a juventude no Mercosul, realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e o Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais (Instituto Polis), que identifica as demandas principais: educação profissionalizante, ecologia, cultura, segurança e transporte. O estudo, apresentado dia 18 de fevereiro, em Brasília, ouviu 960 jovens e especialistas em juventude para saber o que querem e o que pensam garotos e garotas que participam de organizações e movimentos juvenis na América do Sul. Os pesquisadores ouviram cortadores de cana, integrantes de movimentos hip-hop e estudantis e jovens empregadas domésticas.Tanto no Brasil como nos demais países, as demandas por educação profissionalizante, que favorece a inserção no mercado de trabalho e a qualidade de vida foram as que mais apareceram. Isso mostra que o Governo vem acertando ao lançar programas como o ProJovem, criado em 2005 e robustecido em 2007 para melhor atender às necessidades da juventude brasileira. O grande mérito do programa é permitir que entre os 50,5 milhões de brasileiros e brasileiras que estão na faixa etária de 15 a 29 anos, aqueles que vivam em situação de vulnerabilidade social, no campo ou na cidade, e que estejam fora da escola ou com os estudos atrasados sejam reintegrados ao processo educacional, tenham acesso à qualificação profissional e a ações de cidadania, esporte, cultura e lazer e ainda recebam um auxílio financeiro. O objetivo é promover a inserção dos jovens no processo de participação social e valorizar o protagonismo juvenil.O Parlamento também está fazendo a sua parte. Estamos intensificando esforços para aprovar projetos que interessam à juventude. É nossa meta acelerar a tramitação de proposições como a Proposta de Emenda à Constituição 138/03, que inclui a proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais dos jovens na Constituição Federal e o Projeto de Lei 4.530/04, que cria o Plano Nacional de Juventude, além de outras propostas prioritárias para a juventude.150 mil jovens de todo o País participaram das etapas municipais, regionais e nas conferências livres que antecederam às conferências estaduais, que estão acontecendo agora em março. É uma amostra maravilhosa de como a juventude brasileira, longe da alienação, está atenta aos temas de seu interesse e pronta para dialogar e participar da construção de seu futuro.(*) Nazareno Fontele é deputado federal pelo PT-PI e integra a Frente Parlamentar da Juventude no Congresso Nacional
Fonte: Piauí Hoje