(*) Por Valmor BolanO posicionamento da 13ª Conferência Nacional de Saúde do Brasil confirmou o que as pesquisas vinham apontando nos últimos meses: a população brasileira é contra a legalização do aborto, rejeição essa que vem aumentando cada vez mais, especialmente após o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ter aberto o debate em nível nacional dessa questão. A Igreja trabalhou firme para que suas bases ampliassem um trabalho de conscientização, cujo resultado começa a surtir efeito, com a crescente desaprovação pela despenalização do aborto no País. Segundo ressaltou o MDV, Movimento em Defesa da Vida, "no ano de 2000 a legalização do aborto havia sido recomendada pela 11ª Conferência Nacional de Saúde no Brasil. Mas no domingo último, 18 de novembro, os participantes da nova edição da 13ª Conferência Nacional de Saúde rejeitaram a legalização do aborto por uma esmagadora maioria até pouco tempo nunca vista em eventos deste tipo. Em um total de 1627 votos, praticamente todos votaram a favor da vida e os menos de 100 que se posicionaram a favor do aborto foram vaiados pela multidão presente". Este ano, muitos grupos em defesa da vida estiveram em Brasília fazendo lobby junto aos deputados federais, entre eles, o Movimento Legislação e Vida, juntamente com a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, a federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida, a Associação Nacional Mulheres pela Vida, bem como com Comissões Diocesanas em Defesa da Vida, em que visitaram, um a um, os deputados federais que compõem a Comissão de Seguridade Social e Família, presidida pelo deputado Jorge Tadeu Mudallen. A pressão dos grupos pró-aborto também foi muito forte, mas a CSSF resolveu antes de colocar em votação o polêmico PL 1135/91, realizar várias audiências públicas com autoridades e especialistas, que tiveram a oportunidade de debater o tema do aborto, em três audiências públicas em Brasília. O próprio presidente da Comissão, assumiu a relatoria do projeto de lei, dizendo que os dados recebidos pelo Ministério da Saúde sobre o assunto eram divergentes e não muito precisos. Nesse sentido, a posição de Igrejas Cristãs e, de modo particular, da Igreja Católica pesou muito no debate, principalmente pelo argumento antropológico, que coloca a primazia da pessoa humana sobre quaisquer outros interesses (econômicos ou políticos) envolvendo essa questão.De qualquer forma, sentimos que esta batalha (que ainda não está definitivamente ganha) teve mais uma vitória, sendo um ganho de humanidade e de civilização, pois o direito à vida (que será tema da próxima Campanha da Fraternidade) é o maior de todos os direitos, pois sem a vida não há como assegurar a liberdade, a educação, a saúde e os demais direitos humanos.Esperamos então que os nossos parlamentares estejam mais em consonância com a vontade geral, reafirmando firmemente o direito à vida, expresso pelo que a maioria do povo brasileiro vem mostrando nas pesquisas: ser contra o aborto e a favor da vida. (*) Valmor Bolan é doutor em Sociologia e reitor do UNIBEROE-mail: reitor@unibero.edu.br
Fonte: Piauí Hoje