Ciência & Tecnologia

Caprinos do Nordeste têm diferenciação genética

Piauí Hoje

Teresinha

18 de julho de 2008 às 04:07


(*) Por Adriana Mello de Araújo e Francisco Luiz RibeiroA caprinocultura da Região Nordeste ocupa principalmente áreas de semi-árido, impróprias para a exploração pecuária de grande porte. O desenvolvimento regional apoiado na intensificação da atividade ocasionou a importação maciça de recursos genéticos exóticos, com conseqüente redução da representação da população local nos rebanhos criados. Estão em risco de desaparecimento às raças de caprinos conhecidas como nativas que na verdade são grupos genéticos naturalizados no Brasil. Seus atributos são a convivência com o semi-árido e a prolificidade. Porém, esse material genético ainda desconhecido de muitos e nunca selecionado pelo homem está desaparecendo rapidamente.Grupos de pesquisa liderados pela FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) iniciaram o processo de monitoramento da biodiversidade agropecuária no Mundo. A razão para esse esforço de conservar para as gerações futuras a diversidade presente nos animais domésticos é manter a flexibilidade para atender as mudanças de demanda do mercado e adaptações às mudanças climáticas e doenças.O projeto de pesquisa executado pela Embrapa Meio Norte e Embrapa Caprinos, com o apoio financeiro do Banco do Nordeste, têm como objetivo enriquecer o conhecimento das potencialidades desse recurso genético representado pelos caprinos do Nordeste. Através da análise de DNA, utilizando marcadores de microssatélites, é possível caracterizar geneticamente os diversos grupos de caprinos e conhecer a diversidade genética guardada nos núcleos de conservação de algumas unidades de pesquisa da Embrapa.Até o momento, foram analisadas amostras de animais de cada grupo: Marota, Azul, Moxotó e Canindé de rebanhos de conservação da Embrapa, localizados no Piauí e no Ceará. Os resultados preliminares indicam haver uma nítida diferenciação genética entre os grupos genéticos estudados. Ou seja, além de diferenças visíveis na pelagem, tamanho, orelha, etc... que se usa na prática para distinguir as raças, esses grupos genéticos nativos são molecularmente distintos entre si. Tomando-se o conceito acadêmico de que raça é um grupo genético distinto, com semelhanças hereditárias, a pesquisa justifica até certo ponto as iniciativas de associações de raças em estabelecer o registro genealógico nos grupos nordestinos de caprinos. Esse aspecto é muito importante, pois tomando por base as experiências mundiais de conservação de animais domésticos, é necessário fomentar as associações de criadores das raças em risco de desaparecimento, para estimular os criadores a participarem do processo de conservação e assim salvar esses grupos.Pelo lado científico, o estudo revelou que além de conservar a variação genética entre cada rebanho/grupo, a diversidade genética está sendo mantida também dentro dos diferentes núcleos de conservação. Com isto, a perspectiva é que a pesquisa possa iniciar nos próximos anos um trabalho sério de seleção desses grupos genéticos locais em risco de desaparecimento, visando aumentar a produtividade dos animais até um patamar que não prejudique a convivência dos caprinos na caatinga, respeitando a singularidade sócio-ambiental rural do semi-árido.(*) Adriana Mello de Araújo e Francisco Luiz Ribeiro são pesquisadores da Embrapa

Fonte: Piauí Hoje



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