Ciência & Tecnologia

A qualidade da carne bovina

Piauí Hoje

Teresinha

04 de fevereiro de 2009 às 03:02


(*) Por Geraldo Magela Côrtes CarvalhoDentre os fatores que determinam a qualidade da carne estão os atributos organolépticos e, dentre esses, a maciez é o mais valorizado pelo consumidor. Sabe-se que o genótipo do animal é um dos fatores ante-mortem que atuam sobre a maciez da carne e que, em razão do clima predominante no País, cerca de 80% do rebanho bovino do Brasil é de gado Zebu ou de animais azebuados que, reconhecidamente, apresentam níveis inferiores de qualidade de carne, especialmente maciez, quando comparados com gado Bos taurus. Vários trabalhos indicam que a maciez da carne diminui com o aumento da proporção de Zebu nos animais e existem autores que dizem que o gado não deveria ter mais de 25% de raças zebuínas. A existência de raças taurinas adaptadas abre perspectivas de se aumentar a proporção de Bos taurus nos animais sem reduzir a adaptação às condições das regiões de clima tropical e subtropical, para produzir um produto que satisfaça os anseios do mercado consumidor. Para isso, é necessário avaliar estratégias de utilização de recursos genéticos para as várias regiões e os diversos sistemas de produção do País. O projeto de Cruzamento entre Raças Bovinas de Corte tem o objetivo geral de avaliar estratégias de utilização de recursos genéticos animais para produção eficiente de carne bovina de qualidade, em diferentes regiões do País. O objetivo específico é avaliar o desempenho de cruzamentos envolvendo a raça Nelore e raças taurinas adaptadas e não-adaptadas visando à obtenção de animais precoces e produtores de carne macia de boa qualidade, adaptados às condições tropicais e subtropicais. Esse projeto componente é composto por cinco planos de ação em que são avaliadas diferentes estratégias de cruzamentos entre raças bovinas (taurinas adaptadas e não-adaptadas e zebuínas), específicas para cada uma das regiões consideradas no projeto. O que se pretende é avaliar a possibilidade de se aumentar a proporção de Bos taurus nos animais, além de 50%, visando à melhoria da qualidade da carne, maciez, principalmente, sem reduzir a adaptação às condições locais de ambiente. Os planos de ação são desenvolvidos pela Embrapa Meio-Norte, em Teresina; Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande; Embrapa Pecuária Sul, em Bagé; e Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos; e terão atividades executadas também na ESALQ/USP, em Piracicaba; IZ/SP, em Nova Odessa; e FCAV/UNESP, em Jaboticabal. O projeto fornecerá alternativas de utilização de recursos genéticos adaptados, visando à produção de carne de qualidade, com redução do ciclo de produção e do uso de produtos químicos no combate a parasitas.O Plano de Ação conduzido pela Embrapa Meio-Norte, denominado Cruzamento para Otimizar o Desempenho Materno e Reprodutivo de Vacas de Corte e a Qualidade da Carne na Região Nordeste, tem como objetivo principal avaliar os produtos de cruzamento entre Nelore e Pé-Duro. O projeto já se encontra no segundo ano e terá duração de quatro ciclos reprodutivos. Os tratamentos se dividem em três lotes de cruzamentos, Nelore x Nelore, Nelore x Pé-Duro e Pé-Duro x Pé-Duro. Os produtos dos respectivos cruzamentos terão seu desempenho ponderal e resistência a parasitas avaliados e, após confinamento terminal, terão suas carcaças avaliadas e a maciez da carne será medida. Os resultados finais, se favoráveis, poderão tirar os bovinos da raça Pé-Duro do risco de extinção e inserir essa raça no mercado, como uma alternativa para cruzamentos visando à produção de carne de qualidade nas regiões semi-áridas e tropicais do Brasil.(*) Geraldo Magela Côrtes Carvalho é pesquisador da Embrapa Meio-Norteemail - geraldo@cpamn.embrapa.br

Fonte: Piauí Hoje



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