Saúde

IST NA ADOLESCÊNCIA

Infecções Sexualmente Transmissíveis crescem drasticamente entre adolescentes

Os dados constam em uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB)

Alinny Maria

17 de outubro de 2023 às 10:19


A prevenção das doenças é feita com uso de preservativo
A prevenção das doenças é feita com uso de preservativo

Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2011 a 2021 os casos de Sífilis aumentaram 800% no Brasil. Uma pesquisa realizada por estudantes de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB) revela que na faixa etária de 15 e 19 anos, o número de casos da doença subiu 1.109%, com predomínio das mulheres.  

O estudo indica que o cenário de propagação das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) requer uma abordagem educacional e de saúde pública mais abrangente.  

Embora a pesquisa aponte redução de 6,79% nos casos de HIV na população geral, entre os adolescentes, a doença cresceu cerca de 18%, com alta notável de 111% nos diagnósticos do sexo masculino e diminuição de 44% do sexo feminino. 

Em relação à hepatite B, os números mostram redução de 53% no número de casos gerais. Na faixa etária entre 15 a 19 anos, houve redução maior, de 88% entre o sexo masculino e cerca de 86% entre o feminino. 

De acordo com o orientador, o professor de Medicina do CEUB Gerson Pereira, o aumento dos casos de ISTs entre jovens é atribuído a fatores interligados: comportamentos de risco (como a falta de uso de preservativos e múltiplas parcerias sexuais), a falta de educação sexual, a falsa sensação de segurança e o uso de drogas. Também preocupa o desconhecimento sobre os sintomas das doenças, que podem levar a práticas sexuais desprotegidas, e o diagnóstico tardio, já que os jovens não costumam buscar testes e tratamento oportunos. 

“É possível observar um acirramento do conflito no que diz respeito ao papel do Estado na garantia de crianças, adolescentes e jovens de seus direitos e no acesso a eles. Portanto faz-se necessário que as ações nas escolas sejam reforçadas, visando a conscientização da população jovem, a redução dos casos de IST e as gravidezes indesejadas na adolescência”, reforça o Gerson Pereira.

 O estudo mostra a falta de efetividade na implementação das políticas de educação sexual nas instituições de ensino. Como ações de educação em sexualidade, as autoras da pesquisa, Jéssica Maggioni e Luana Albuquerque, sugerem a promoção de campanhas na mídia, rodas de conversas entre pais e mestres e a capacitação de educadores, garantindo informações adequadas sobre saúde sexual e reprodutiva aos adolescentes.

 “A falta de educação sexual nas escolas contribui para a vulnerabilidade desses jovens às ISTs, problemas de saúde pública que demandam uma ação imediata e integrada do Estado”, enfatizam Jéssica e Luana.

Base de Dados

O estudo utilizou dados epidemiológicos da plataforma "Tab Net", fornecida pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Sistema Único de Saúde (SUS), e boletins do Ministério da Saúde, no período de 2011 a 2021.

 Na etapa bibliográfica, foram analisadas as principais políticas de educação sexual no Brasil, com destaque para o Programa Saúde na Escola (PSE). Ativo desde 2007, a ação interdisciplinar entre a saúde e educação visa a promoção da saúde e o fornecimento atenção à saúde a estudantes, contribuindo para sua formação integral. A base do PSE é a articulação entre escolas e atenção primária à saúde.



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