Teresinha
28 de agosto de 2018 às 12:08
Crianças que crescem ao lado de adultos fumantes têm mais risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo se elas próprias não fumarem na vida futura. É o que aponta uma nova pesquisa da Sociedade Americana do Câncer. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm mais risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância - como asma ou aumento da pressão sanguínea. Mas nunca antes uma pesquisa havia demonstrado o efeito na vida adulta.
"Esse é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança à fumaça do cigarro e a morte por doença pulmonar obstrutiva crônica na meia-idade e velhice", afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo. Por que não fumantes estão sofrendo cada vez mais com o câncer de pulmão 100 vezes mais potente que cigarro, narguilé vira moda entre jovens brasileiros e acende alerta no governo.
A pesquisa analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumantes, homens e mulheres, que vinham sendo acompanhadas há mais de duas décadas. Um terço delas, inclusive, já tinha falecido antes da pesquisa. O resultado da análise é que as pessoas que conviveram com um adulto fumante apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.
A exposição a fumaça de cigarro na infância, por dez horas ou mais por semana, aumentou o risco de morte na vida adulta por doença pulmonar obstrutiva crônica em 42%, doença cardíaca isquêmica em 27%, e acidente vascular cerebral em 23% - em comparação com aqueles que não conviveram com fumantes quando crianças. O estudo foi publicado no periódico científico American Journal of Preventive Medicine (https://www.ajpmonline.org/).
Parar de fumar é a melhor forma de proteger as crianças - e a si próprio Segundo os pesquisadores, a melhor forma de proteger as crianças é parar de fumar. "Este último estudo dá mais um argumento para retirar a fumaça de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais pararem de fumar", afirma Hazel Cheeseman, do grupo ativista Action on Smoking and Health (Ação sobre o Fumo e a Saúde, na tradução livre para o português).
"O fumo passivo tem um impacto duradouro, muito além da infância", acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão. "Nós precisamos oferecer ajuda para todos que queiram parar de fumar. Especialmente pais de crianças pequenas."
Fonte: UOL
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