Política

Líder do Governo lê nota do Dieese sobre crise no setor de petróleo

Dieese culpa presidente da Petrobras pelo agravamento do problema

Teresinha

28 de maio de 2018 às 17:05


Deputado estadual Francisco Limma (PT)
Deputado estadual Francisco Limma (PT)

O deputado Francisco Limma (PT) ocupou a tribuna como primeiro orador para ler a nota técnica do Departamento Interesindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), sobre “A escalada do preço dos combustíveis e as recentes escolhas da política do setor de petróleo”, que ele considera ser "a verdade sobre toda crise do petróleo, que culminou com a paralisação dos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos reajuste nos preços dos combustíveis".

Segundo o Dieese, nas últimas semanas, a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do diesel nas refinarias 16 vezes. O preço da asolina saiu de R$ 1,74 e chegou a R$ 2,09, alta de 20%. Já o do diesel foi de R$ 2,00 a R$ 2,37, aumento de 18%. Para o consumidor final, os preços médios nas bombas de combustíveis subiram de R$ 3,40 para R$ 5,00, no caso do litro de gasolina (crescimento de 47%), e de R$ 2,89 para R$ 4,00, para o litro do óleo diesel (alta de 38,4%).

Ainda segundo a nota, os atos e interdições de rodovias no país pelos caminhoneiros questiona, entre outros assuntos, a escalada nos preços dos combustíveis, principalmente no do óleo diesel. O transporte de cargas no Brasil depende fortemente do modal rodoviário. “Em poucos dias de interdições, os impactos já são sentidos em várias cidades. A população sente dificuldade para obter combustíveis e começa a perceber problemas para o acesso a outros produtos, principalmente alimentícios. A mobilidade das pessoas e a prestação de diversos serviços foram afetadas”.

"Por que os preços de derivados de petróleo estão subindo tanto no Brasil? A escalada nos preços dos derivados no Brasil, neste momento, está relacionada a fatores de natureza conjuntural (principalmente devido a elementos da geopolítica do petróleo e valorização do dólar diante do real) e a fatores internos (escolhas da política de preços adotada pela Petrobras", leu Francisco Limma.

O Dieese acusa Pedro Parente, presidente da Petrobras desde junho de 2016, de adotar nova política de preços de derivados de petróleo no Brasil, adotando a paridade internacional. A Petrobras passou a praticar nas refinarias os mesmos preços dos derivados no mercado internacional. Assim, a partir de outubro de 2016, os preços começaram a sofrer variações mais frequentes e, a partir de julho de 2017, as correções passaram a ser diárias.

A redução da produção nas refinarias próprias da empresa e o anúncio da venda de outras quatro no Brasil. Essas medidas abrem espaço para o aumento da participação de empresas privadas no setor e a entrada de capital estrangeiro. O país passa a comprar no mercado internacional um bem que poderia produzir internamente. A produção de petróleo no Brasil, em abril de 2018, foi de 2,6 milhões de barris/dia (sem considerar 673 mil barris de gás natural). Neste mesmo mês, as refinarias da Petrobras processaram 1,6 milhão de barris/dia e o consumo interno de derivados ficou em 2,2 milhões de barris/dia. Assim, mesmo produzindo 400 mil barris de petróleo a mais do que o necessário para atender ao consumo nacional, o país importou cerca de 600 mil barris de derivados/dia. Isso aconteceu porque a Petrobras está aumentando a exportação

“As refinarias da Petrobras possuem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas 68% dessa capacidade. Além disso, parte dessa produção de derivados está sendo direcionada para atender ao mercado externo. Como consequência desta política de paridade e redução da produção, cresce a entrada de importadores de derivados de petróleo no país. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), hoje existem 392 empresas autorizadas a realizar importações de derivados no país. Dessas empresas, 129 (33%) foram cadastradas depois de 2016. Na busca pelo aumento da receita fiscal, em julho de 2017, o governo federal reajustou de 9% para 14% a alíquota do PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que incide sobre a gasolina e o diesel, com impactos ainda maiores sobre os preços finais”, acrescentou o orador, citando os dados do Dieese.

“É importante lembrar que o preço do produto tem grande impacto sobre os custos de alimentação do trabalhador brasileiro. Não à toa, a recente escalada de preços teve como consequência o aumento do número de famílias que passou a usar a lenha para cozinhar. Por outro lado, com a nova política, desde junho de 2016, a Petrobras já reajustou 216 vezes os preços da gasolina e do diesel. O consumidor final acaba, literalmente, pagando a conta, já que os custos de produção (incluindo o transporte) acabam repassados ao preço final, com maior impacto sobre as camadas médias e mais pobres da sociedade”, lamentou.

A nota do Dieese prossegue afirmando que, diante do atual cenário, algumas iniciativas podem ser adotadas pela Petrobras e pelo governo federal para tentar resolver o conflito com o movimento que envolve caminhoneiros, com redução de preços também para a população em geral.

“Vale chamar atenção para o fato de que a principal reivindicação do movimento é a redução dos preços do diesel. Medidas: Recuar da política de paridade internacional nos preços dos derivados, principalmente, diesel, gás de cozinha e gasolina, e levar em consideração outros fatores, como a produção de petróleo e refino no país, custos para essas produções, câmbio, demanda por derivados; aumentar o volume de petróleo refinado em refinarias próprias, que atualmente utilizam apenas 68% da capacidade total.

Limma finalizou o discurso mencionando o movimento do Sindicatos dos Petroleiros que vem discutindo e apontando problemas nas escolhas estratégicas da atual gestão da Petrobras há alguns anos.

“No caso específico da Federação Única dos Petroleiros (FUP), foi aprovada, em assembleia com a categoria, uma greve, em fase de organização, para os próximos dias, cujas bandeiras são: Redução dos preços dos combustíveis; manutenção do emprego e retomada da produção das refinarias; fim das importações de derivados; contra a política de privatização da Petrobras; democracia”, finalizou Limma, ao defender o movimento dos trabalhadores pelos seus direitos, como no caso dos caminhoneiros.

Fonte: Paulo Pincel



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