Política

Tribunal reclassifica acusação no PR

Justiça decide que homem que ateou fogo em mulher no PR não teve intenção de matar

Tribunal muda acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal grave, reduzindo pena de José Rodrigo Bandura.

Da Redação

23 de maio de 2026 às 11:08 ▪ Atualizado há 3 horas

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  • O Tribunal de Justiça do Paraná retirou a acusação de tentativa de feminicídio contra José Rodrigo Bandura, reclassificando para lesão corporal grave.
  • Os desembargadores alegaram falta de intenção clara de matar, apontando que Bandura ajudou a conter as chamas após iniciar o incêndio.
  • Bandura permanece preso preventivamente e o caso aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.
  • O Ministério Público pode contestar a decisão e manter a prisão preventiva.
  • A vítima sobreviveu, mas sofreu queimaduras graves, e expressou medo da possibilidade de liberdade do acusado.
  • A defesa de Bandura avaliou a reclassificação como relevante e pediu sua liberdade.
  • Bandura já tem histórico de comportamento semelhante, com um incidente anterior em 2019 envolvendo outra ex-companheira.

José Rodrigo Bandura, denunciado por atear fogo na ex-companheira em junho de 2025 | Foto: reprodução
José Rodrigo Bandura, denunciado por atear fogo na ex-companheira em junho de 2025 | Foto: reprodução

Uma decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) retirou a acusação de tentativa de feminicídio contra José Rodrigo Bandura, denunciado por atear fogo na ex-companheira em junho de 2025, em Maringá, no norte do estado. Por unanimidade, os desembargadores acolheram recurso da defesa e reclassificaram o caso para lesão corporal grave.

No acórdão publicado em 15 de maio, os magistrados entenderam que não há indícios suficientes de intenção de matar. O relator destacou que, após iniciar o incêndio, Bandura teria agido para conter as chamas, ajudado a vítima a chegar até a piscina e permanecido prestando assistência até a chegada do socorro.

Segundo a decisão, embora a autoria do crime esteja comprovada, os elementos reunidos no processo indicam que o acusado agiu com a intenção de causar lesões, e não de provocar a morte da vítima.

O TJ-PR informou que o processo corre sob sigilo, mas confirmou que Bandura permanece preso preventivamente. O caso continua com previsão de julgamento pelo Tribunal do Júri, embora ainda não haja data definida.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) informou que o processo foi encaminhado ao setor de Recursos Criminais para análise de eventual contestação da decisão. A Promotoria responsável pelo caso também deve se manifestar pela manutenção da prisão preventiva.

A vítima sobreviveu ao ataque, mas sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo e permaneceu internada por mais de 40 dias. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, ela afirmou ter recebido a decisão com revolta e medo de uma possível soltura do acusado.

“Tenho receio de que ele seja liberado e tente concluir aquilo que começou. O simples fato de jogar álcool e atear fogo demonstra, para mim, a intenção de matar”, declarou.

A defesa de Bandura tratou a reclassificação da acusação como uma decisão de grande relevância para o processo e informou que já protocolou pedido de liberdade do acusado, aguardando manifestação do Ministério Público.

Em uma ocorrência anterior, em 2019, a Polícia Militar foi acionada para conter José, que estava colocando fogo na casa de uma outra ex-companheira. O caso aconteceu em Ivatuba, no norte do Paraná.

Relembre o caso

De acordo com a denúncia do MP-PR, José Bandura utilizou um acendedor de churrasqueira e um isqueiro para incendiar a companheira, de 47 anos, no dia 4 de junho, em uma residência no bairro Jardim Oriental, em Maringá. O ataque foi registrado por câmeras de segurança.

Ainda segundo a acusação, a mulher tentou correr até um tanque de lavanderia para apagar as chamas, mas foi derrubada e imobilizada pelo agressor. Ela conseguiu se desvencilhar, arrastou-se até uma piscina e, posteriormente, refugiou-se em um banheiro até a chegada da Polícia Militar.

A vítima sofreu queimaduras de terceiro grau no rosto, cabeça e tórax, passou por cirurgia e ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina, recebendo alta apenas em 27 de junho.

Conforme a denúncia, Bandura e a vítima mantinham um relacionamento havia cerca de três anos e passaram a morar juntos aproximadamente um mês antes do crime. O Ministério Público sustenta que os conflitos entre o casal haviam se intensificado nesse período.

Fonte: ICL notícias



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