PROCESSO
Pâmela
21 de março de 2025 às 11:14
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) dará início, na próxima quarta-feira (25), ao julgamento que definirá se aceita ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A denúncia inclui acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, envolvendo cinco crimes atribuídos a Bolsonaro, caso a denúncia seja aceita, o ex-presidente se tornará réu em um processo judicial.
De acordo com a PGR, Bolsonaro teria liderado um esquema para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor das eleições de 2022. Entre as acusações, destaca-se o crime de "liderar organização criminosa armada", com agravante devido ao uso de armas de fogo e à função de comando exercida por Bolsonaro. A denúncia também menciona um plano que visava a morte do ministro Alexandre de Moraes e do presidente Lula, com o uso de armas bélicas e envenenamento.
“O plano se desdobrava em minuciosas atividades, requintadas nas suas virtualidades perniciosas. Tinha no Supremo Tribunal Federal o alvo a ser “neutralizado”. Cogitava do uso de armas bélicas contra o Ministro Alexandre de Moraes e a morte por envenenamento de Luiz Inácio Lula da Silva”, diz trecho da denúncia.
Além disso, a PGR sustenta que o ex-presidente e seus aliados tentaram destituir o governo eleito, empregando violência e grave ameaça para suprimir o regime democrático. A denúncia cita a tentativa de golpe como uma violação das leis sancionadas por Bolsonaro em 2021, quando ele mesmo aprovou uma legislação para combater ataques ao Estado Democrático de Direito.
Outro crime mencionado é o de deterioração de patrimônio tombado, ligado aos ataques de 8 de janeiro. A PGR argumenta que, embora Bolsonaro não tenha participado diretamente dos vandalismos, ele teria incentivado os protestos golpistas e contribuído para a radicalização dos atos, mantendo contato com os acampamentos de manifestantes e não tomando medidas para desmobilizá-los. A denúncia aponta que Bolsonaro, ao não agir para conter a violência e a tentativa de golpe, deve ser responsabilizado por omissão dolosa.
“O resultado trágico dos eventos de 8 de janeiro, cuja índole golpista já foi assentada pelo Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, não pode ser dissociado das omissões dolosas desses personagens denunciados” complementa a denúncia.
A denúncia contra Bolsonaro detalha diversos crimes, com penas que variam conforme a gravidade das ações.
Se condenado em todas as acusações, Bolsonaro poderá ser sentenciado a até 39 anos e 4 meses de prisão. No entanto, mesmo com penas acumuladas, o tempo máximo de reclusão no Brasil é de 40 anos, conforme estabelecido pela Lei Anticrime de 2019. Além da prisão, o ex-presidente pode perder seus direitos políticos, ser declarado inelegível e ser multado.
(*) Lília Pâmela é estagiária sob supervisão do jornalista Luiz Brandão - DRT-PI -960
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