Política

AMEAÇA AO PAIS

Em novo surto golpista, Eduardo Bolsonaro diz que não haverá eleições no Brasil em 2030

Declaração representa escalada retórica que usa política externa de Trump para tentar constranger Judiciário brasileiro e deslegitimar processo eleitoral

Da Redação

14 de julho de 2026 às 16:25 ▪ Atualizado há 48 minutos

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  • Eduardo Bolsonaro ameaçou que não haverá eleições em 2030 se Flávio Bolsonaro não vencer contra Lula.
  • A ameaça seguiu a proibição de Flávio de visitar seu pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias, imposta por Alexandre de Moraes.
  • Eduardo incita a deslegitimação das instituições democráticas e pediu sanções dos EUA contra Moraes.
  • Flávio Bolsonaro alegou perseguição política pelo STF, comparando ao tratamento de Lula em 2018.
  • As situações jurídicas são diferentes, pois Jair Bolsonaro enfrenta restrições específicas.
  • Eduardo pediu que Trump restabeleça sanções da Lei Magnitsky contra Moraes, tentando internacionalizar a questão judicial.
  • A estratégia visa mobilizar apoiadores e pressionar externamente as instituições brasileiras quando interesses políticos são contrariados.

Zeca Ribeiro/Agência Câmara - O conspirador Eduardo Bolsonaro
- O conspirador Eduardo Bolsonaro

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma ameaça, na rede social X. Ele afirmou que “não haverá eleições em 2030” caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não vença a disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro deste ano.

A declaração foi feita após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias, como punição pelo descumprimento de medidas cautelares.

Ao condicionar a existência de um pleito futuro ao resultado de uma eleição presente, Eduardo escalou a retórica de deslegitimação das instituições democráticas brasileiras e aproveitou o episódio para pedir ao governo de Donald Trump que restabeleça sanções internacionais contra Moraes.

O ex-deputado, que conspira contra o Brasil nos EUA, justificou a afirmação com um cenário hipotético de concentração de poder. “É impensável haver um país com Lula consolidando o atual regime e ainda botando +4 juízes no STF. Se já estão confortáveis hoje para fazer isso, imagina daqui a 4 anos, com controle total do STF+TSE?”, argumentou.

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A lógica apresentada por Eduardo inverte a relação entre instituições e eleições: em vez de reconhecer o pleito como mecanismo de alternância de poder, trata o resultado eleitoral desfavorável como extinção da própria democracia, um enquadramento que serve menos à análise política do que à mobilização de uma base que já desconfia das urnas.

Decisão de Moraes e defesa de Flávio

A decisão que motivou as declarações de Eduardo foi assinada por Moraes e proíbe Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias. O fundamento da medida está no descumprimento de cautelares impostas a Jair Bolsonaro.

Uma delas veda o uso de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros. Segundo Moraes, o ex-presidente enviou uma carta para que Flávio a lesse publicamente a apoiadores, o que configurou, nas palavras do ministro, “ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”.

Flávio Bolsonaro reagiu no mesmo dia com uma nota em que afirmou que a medida “reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual por parte do STF”, acusando o tribunal de abandonar o papel de “árbitro institucional” para atuar como adversário político de seu pai.

Para sustentar a tese de tratamento desigual, o senador recorreu a uma comparação com a prisão de Lula em 2018: segundo ele, o atual presidente recebeu centenas de visitas, manteve interlocução com aliados, concedeu entrevistas à imprensa em 2019 e chegou a pedir votos para o candidato que o substituiu na disputa eleitoral, tudo isso enquanto ainda estava detido. “Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei”, concluiu Flávio.

A comparação, porém, ignora que as situações jurídicas são distintas: Jair Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares específicas que incluem a proibição de comunicação pública, restrição que não tinha equivalente no caso de Lula em 2018.

Pedido de sanções e o histórico da Lei Magnitsky

Na mesma publicação em que ameaçou o calendário eleitoral, Eduardo Bolsonaro voltou a pedir que o governo de Donald Trump restabeleça as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.

O argumento apresentado foi que a proibição de um “prisioneiro se comunicar com seu filho” por razões políticas deveria levar outros países a não reconhecerem as eleições brasileiras como democráticas. A formulação transforma uma decisão judicial doméstica em pretexto para intervenção estrangeira no processo eleitoral do país.

O histórico da sanção dá contexto ao pedido. A medida foi imposta contra Moraes em julho do ano passado, no mesmo dia em que Trump oficializou um tarifaço de 50% contra exportações brasileiras. À época, o movimento foi amplamente interpretado como uma tentativa de pressão externa sobre o julgamento de Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

A sanção foi revogada em dezembro do mesmo ano. Ao pedir seu restabelecimento agora, Eduardo Bolsonaro retoma uma estratégia que combina pressão judicial interna, mobilização de apoiadores e apelo a governos estrangeiros para deslegitimar as instituições brasileiras sempre que suas decisões contrariarem os interesses do grupo político da família.

Fonte: Revista Fórum