COMBATE À AGRESSIVIDADE
Sol
18 de setembro de 2024 às 09:02
A agressividade e a violência nas disputas políticas brasileiras têm raízes históricas, conforme explica a professora Maria de Aparecida Aquino, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Segundo ela, o que diferencia o atual cenário é a difusão massiva das ações violentas através das mídias tradicionais e das redes sociais.
“Na história da política republicana brasileira, já houve episódios de violência política e eleitoral. Um exemplo marcante foi a eleição presidencial de 1989, que ocorreu logo após o regime militar e foi repleta de confrontos acirrados entre os candidatos”, afirma.
A professora também recorda os conflitos políticos da década de 1950, quando Carlos Lacerda se opôs de forma intensa a Getúlio Vargas. “Lacerda era famoso por sua retórica agressiva, que deixava um impacto profundo nas pessoas. Ele teve um papel significativo no clima de hostilidade que culminou no suicídio de Vargas em 1954”, observa.
Aparecida ressalta que, embora a violência política não seja uma novidade, a forma como ela é disseminada atualmente é inédita. “Hoje, com a presença da televisão e das redes sociais, essa violência se espalha de maneira muito mais rápida e intensa. O que realmente mudou é a forma de comunicação”, explica.
Enfrentando a Agressividade
No último domingo, um debate promovido pela TV Cultura entre candidatos à prefeitura de São Paulo terminou em agressão física. Durante uma troca de acusações, José Luiz Datena (PSDB) agrediu Pablo Marçal (PRTB) com uma cadeirada.
A professora Aquino aponta que existem mecanismos que poderiam ser utilizados para coibir comportamentos agressivos, mas lamenta que não estejam sendo aplicados. “Existem soluções simples que poderiam prevenir os incidentes que estamos vendo. Por exemplo, cortar a palavra de um candidato que ofende outro seria uma medida fácil e eficaz para ajudar a controlar essa situação caótica”, conclui.
Fonte: Agência Brasil
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