Polícia

CASO BEBÊ

Laudo descarta estupro e aponta asfixia na morte de bebê de 10 meses em Fortaleza

Exames da Perícia Forense do Ceará não encontraram indícios de violência sexual nem material genético dos suspeitos no corpo da criança; investigação passa a tratar o caso como homicídio culposo

Da Redação

18 de julho de 2026 às 08:40

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  • A morte da bebê Helena Almeida foi inicialmente investigada como estupro seguido de morte.
  • A Perícia Forense do Ceará concluiu que a causa da morte foi asfixia, sem vestígios de violência sexual.
  • Com isso, a investigação foi alterada para homicídio culposo, sem intenção de matar.
  • A prisão dos suspeitos, Francisco Ray e Roberto Levy, foi baseada em um relatório hospitalar inicial.
  • Ambos tiveram suas prisões em flagrante convertidas para preventiva.
  • A defesa aponta que a morte ocorreu por um acidente, quando Levy, embriagado, a esmagou sem intenção.
  • O caso está sob sigilo devido ao envolvimento de uma criança.

Reprodução Helena Almeida
Helena Almeida

A morte da bebê de 10 meses, Helena Almeida, ocorrida na última segunda-feira (13), em Fortaleza (CE), teve um novo desdobramento após a divulgação do laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). O exame, divulgado nesta sexta-feira (17), concluiu que a criança morreu por asfixia e descartou a hipótese de estupro, que havia sido considerada inicialmente com base no atendimento médico realizado no hospital.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), os exames periciais não encontraram vestígios de violência sexual nem a presença de material genético dos dois homens presos em flagrante.

"Foram realizados exames laboratoriais de alcoolemia e de drogas no sangue, que não constataram a presença dessas substâncias nas amostras coletadas na criança. Os exames realizados pela Pefoce também não constataram presença de sêmen e não indicaram presença de material genético dos dois homens envolvidos na ocorrência no corpo dela. O exame sexológico apontou que não houve violência sexual", informou a SSPDS.

Com o resultado da perícia, a Polícia Civil alterou a linha de investigação. O caso, que inicialmente era tratado como estupro de vulnerável seguido de morte, agora passa a ser investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Em nota, a SSPDS explicou que a prisão em flagrante dos suspeitos foi baseada no relatório elaborado pelo hospital particular onde a bebê foi atendida por quatro médicos de emergência pediátrica e dois cardiologistas.

"Após a conclusão dos laudos periciais da Pefoce e com o andamento das diligências policiais, a investigação conduzida pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) concluiu tratar-se de homicídio culposo, descartando com base nos laudos periciais a ocorrência de violência sexual contra a criança", informou o órgão.

Os presos foram identificados como Francisco Ray Rodrigues Magalhães, de 22 anos, que mantinha um relacionamento com a mãe da bebê, e Roberto Levy Oliveira Magalhães, de 26 anos, primo de Francisco Ray. Ambos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva pela Justiça do Ceará.

A bebê morreu na casa onde Francisco Ray morava. No momento da ocorrência, a mãe da criança acreditou que a filha estivesse engasgada e acionou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Como o socorro não chegou a tempo, ela decidiu levar a bebê por conta própria para uma unidade de saúde.

A advogada de Francisco Ray, Gleicy Kelly Leitão, afirmou que o resultado da perícia confirma a tese apresentada pela defesa.

"A morte foi por asfixia, justamente a tese defensiva de que Levy, primo de Ray, [...] esmagou a criança com seu peso corporal ao deitar na cama, embriagado. O que agora deve mudar completamente o rumo da investigação e ser tratado como um homicídio culposo, ou seja, quando não há a intenção de matar."

A defesa da mãe da bebê informou que continuará acompanhando o caso e adotará as medidas judiciais cabíveis para garantir o esclarecimento dos fatos.

Em nota, o advogado Weryd Simões afirmou que buscará assegurar "que a verdade prevaleça, que a memória da criança seja respeitada e que os responsáveis pela disseminação de notícias falsas respondam na forma da lei".

O Tribunal de Justiça do Ceará confirmou que os dois investigados permanecem presos preventivamente. Segundo o órgão, novos documentos foram anexados ao processo e serão analisados pelas instituições que integram o Sistema de Justiça. O caso segue sob sigilo por envolver uma criança, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Fonte: G1 Globo