DECISÃO JUDICIAL
Da Redação
17 de junho de 2026 às 13:43 ▪ Atualizado há 1 hora
A Justiça do Maranhão determinou a soltura de Alberto Luiz Freitas Monção, investigado por supostos abusos sexuais contra crianças autistas em uma creche de Timon (MA). O suspeito exercia a função de diretor-adjunto da instituição na época em que os fatos vieram à tona.
A decisão foi assinada pelo juiz Rogério Monteles e teve como fundamento o descumprimento dos prazos processuais previstos em lei. Conforme o entendimento do magistrado, o Ministério Público não apresentou denúncia dentro do período legalmente estabelecido e ainda concordou com a ampliação do prazo solicitado durante as investigações.
Apesar de autorizar a soltura, o Judiciário avaliou que o caso ainda exige cautela. Por esse motivo, a prisão preventiva foi revogada, mas substituída por restrições judiciais que deverão ser cumpridas pelo investigado.
Investigação começou após denúncia da família
O caso passou a ser apurado após familiares de uma das crianças procurarem a polícia ao perceberem sinais que levantaram suspeitas de violência. Segundo os relatos, a vítima apresentava dores e comportamentos que motivaram a busca por esclarecimentos.
A partir da denúncia, a Polícia Civil iniciou uma série de diligências e passou a analisar imagens registradas pelas câmeras de monitoramento da creche.
Crianças eram levadas para local sem câmeras
De acordo com os investigadores, o suspeito costumava retirar algumas crianças das salas de aula durante o horário de funcionamento da unidade e conduzi-las até um depósito instalado próximo à diretoria.
As apurações indicam que o espaço não possuía monitoramento por vídeo. Conforme a polícia, uma câmera que funcionava no local teria sido removida após o investigado assumir suas atividades na instituição.
Ainda segundo a investigação, registros obtidos pelos policiais mostram o então diretor levando alunos até o depósito e permanecendo com eles por determinados períodos.
Crianças autistas eram alvos preferenciais, diz polícia
A Polícia Civil informou que o investigado teria escolhido, principalmente, crianças autistas com dificuldades de comunicação verbal, circunstância que dificultaria a revelação dos supostos abusos.
Uma testemunha considerada essencial para o andamento do inquérito relatou ter estranhado diversas vezes a atitude do suspeito ao retirar alunos das salas sem justificativa aparente. Segundo os investigadores, a pessoa chegou a questioná-lo repetidamente sobre a prática.
As denúncias provocaram forte repercussão em Timon e resultaram na interdição da creche após o início das investigações.
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