TARIFAÇO
Isaac
07 de julho de 2025 às 09:44
Em meio à cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (6) a imposição de uma tarifa adicional de 10% a países que se alinhem com “políticas antiamericanas” do bloco. A medida foi comunicada por meio da plataforma Truth Social e marca mais um episódio de escalada nas disputas comerciais entre Washington e as nações do Sul Global.
O anúncio ocorre em um momento de tensão crescente: reunidos na capital fluminense até esta segunda-feira (7), líderes dos 11 países do Brics divulgaram a “Declaração do Rio de Janeiro”, na qual manifestaram apoio ao multilateralismo e ao fortalecimento de instituições como a ONU, além de rejeitar ações unilaterais que prejudiquem o comércio mundial. “Expressamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio”, afirma trecho do documento divulgado pelo Itamaraty.

Brics
Os integrantes do bloco, que hoje inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros seis países, também abordaram temas sensíveis como segurança global e conflitos no Oriente Médio. A declaração condena ataques recentes contra o Irã, sem mencionar diretamente EUA ou Israel, e reafirma apoio à criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital, pedindo ações internacionais para cessar a violência em Gaza e proteger civis palestinos.
As reações à ameaça de tarifas foram imediatas. O Ministério das Relações Exteriores da China destacou que “o uso de tarifas não serve a ninguém” e reafirmou oposição a medidas coercitivas no comércio. A Rússia, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, enfatizou que “a singularidade do Brics está no fato de que ele reúne países com abordagens e visões comuns sobre como cooperar com base em seus próprios interesses”, reforçando que “essa cooperação nunca foi e nunca será dirigida contra terceiros”.
A África do Sul também se manifestou em defesa do bloco. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Chrispin Phiri, ressaltou que o Brics busca apenas promover um multilateralismo reformado e criar uma ordem global mais equilibrada e inclusiva, “que reflita melhor as realidades econômicas e políticas do século 21”.
Enquanto isso, representantes de outros países evitaram declarações mais contundentes. O Ministério do Comércio e Indústria da Índia preferiu não comentar, e o porta-voz do Ministério Coordenador de Assuntos Econômicos da Indonésia afirmou que “a equipe ainda está trabalhando” e que espera encontrar “a melhor solução” em diálogo com Washington.

Truth Social
A retórica de Trump surge em meio à reta final do prazo de 90 dias que suspendeu as sobretaxas anunciadas pelos EUA em abril. De acordo com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, quem não fechar acordo comercial com Washington até quarta-feira voltará a ser taxado a partir de 1º de agosto. Até agora, apenas Reino Unido e Vietnã conseguiram chegar a um consenso com os EUA.
A reunião do Brics, sob presidência brasileira iniciada em janeiro, também contou com falas defendendo reformas na governança global. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que “o mundo de hoje está mais turbulento, com o unilateralismo e o protecionismo em ascensão” e que a China está disposta a trabalhar com os demais países do bloco para promover uma governança global “mais justa, razoável, eficiente e ordenada”.
Analistas avaliam que as ameaças de Trump representam uma forma de pressionar países emergentes em um momento em que o Brics busca ampliar seu peso político e econômico no cenário internacional. Em comunicado conjunto, os líderes do bloco reforçaram que “os esforços devem ser direcionados a reformas que fortaleçam a representação de países em desenvolvimento”, além de reafirmarem a importância de soluções pacíficas e diplomáticas para conflitos, sempre em respeito ao direito internacional.
A cúpula do Brics termina nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, com a expectativa de novos desdobramentos sobre a tensão comercial entre Estados Unidos e os países do bloco.
Fonte: G1
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