Lula comentou que o presidente Trump precisa avaliar melhor as consequências dessa decisão. "Se ele acha que aumentar as tarifas sobre tudo o que os Estados Unidos importam vai ajudar, está enganado. Isso vai ser prejudicial para os EUA. Vai aumentar o preço dos produtos, o que pode causar inflação, algo que ele ainda não percebeu", disse Lula.
O presidente brasileiro também lembrou que os EUA importam muitos carros do Japão e várias empresas japonesas produzem carros no território americano. "A única coisa que sei é que isso vai tornar os carros mais caros para o povo americano. E esse aumento pode gerar inflação, que pode levar ao aumento dos juros, o que afetaria ainda mais a economia", completou.
Sobre as tarifas impostas pelos EUA ao aço e alumínio brasileiros, Lula afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter a medida. "Vamos recorrer à OMC e, se isso não resolver, podemos aplicar tarifas sobre os produtos americanos que importamos, com base na lei da reciprocidade", explicou.

Lula também expressou sua preocupação com o aumento do protecionismo comercial, afirmando que o livre comércio está sendo prejudicado e que o presidente dos EUA não pode se comportar como "xerife do mundo".
Na mesma entrevista, o presidente comentou as negociações com o Japão para expandir a exportação de carne bovina brasileira. "O primeiro-ministro japonês vai enviar uma missão para avaliar a carne brasileira e acredito que, ainda este ano, teremos uma solução para isso", disse Lula. Ele também anunciou que, ao assumir a presidência do Mercosul no segundo semestre, trabalhará para avançar com um acordo comercial entre o bloco e o Japão.
A visita de Lula ao Japão começou na segunda-feira (24), e ele participou de várias atividades, como reuniões com empresários brasileiros do setor de carne, uma cerimônia de boas-vindas no Palácio Imperial e encontros com autoridades japonesas. Ele também pediu o apoio do Japão na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, no Brasil, em 2025.
Na quarta-feira (26), o presidente teve uma agenda cheia, com reuniões com representantes de sindicatos e empresários, além de um evento para discutir o comércio Brasil-Japão. Durante o Fórum Empresarial, Lula convidou os japoneses a investirem no Brasil e criticou o aumento do protecionismo e do negacionismo climático. Também foi anunciado um acordo entre a Embraer e a ANA, maior companhia aérea do Japão, para a compra de jatos E-190.
Após as reuniões bilaterais, Lula se encontrou com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, para firmar compromissos entre os dois países. Foram assinados dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente. A visita continua com a ida para Hanói, no Vietnã, a segunda parte da viagem.