Teresinha
19 de agosto de 2016 às 15:08
O chefe da campanha de Donald Trump, Paul Manafort, renunciou nesta sexta-feira (19), segundo a CNN. O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (17) uma reformulação na equipe a menos de três meses da votação para escolher o sucessor de Barack Obama.
“Eu sou muito grato por seu grande trabalho para ajudar a chegar onde estamos hoje, e em particular o seu trabalho nos guiando durante o processo de escolha de delegados e das convenções. Paul é um verdadeiro profissional e desejo-lhe o maior sucesso", declarou Trump, segundo a CNN.
Na quarta, Trump nomeou para o cargo de executivo-chefe da campanha Steve Bannon, ex-banqueiro de investimento e presidente-executivo do site de notícias Breitbart News, de linha conservadora e que exalta a figura do republicano. Manafort até então permaneceria na equipe.
O anúncio da queda de Manafort acontece um dia depois do republicano fazer uma declaração surpreendente: ele disse ter se arrependido das palavras ofensivas que pronunciou durante a campanha eleitoral. Ele parece, assim, querer assumir a postura de um candidato mais propenso à busca de consensos, marcando uma inflexão em seu estilo de campanha.
"Às vezes, no calor do debate e falando sobre uma grande variedade de temas, não escolhemos as palavras corretas e dizemos coisas equivocadas", afirmou Trump durante um ato em Charlotte, na Carolina do Norte.
"Isso aconteceu comigo e, acreditando ou não, eu lamento", disse, provocando aplausos entre a multidão. "Realmente lamento, e em especial quando causou dor às pessoas", acrescentou, garantindo aos seus seguidores que "sempre direi a verdade a vocês".
Polêmicas
Nos últimos dias e em meio a sua queda nas pesquisas, Trump havia expressado seu desejo de retomar os discursos explosivos que fizeram sucesso durante as primárias republicanas.
Mas suas polêmicas mais recentes - especialmente seus confrontos com os pais de um capitãomuçulmano que morreu no Iraque - o afetaram duramente.
Seus críticos também o acusaram de incitar a violência contra sua rival democrata Hillary Clinton, mediante declarações ambíguas sobre o direito ao porte de armas.
Sem alterar as linhas gerais de seu discurso - muro na fronteira com o México, protecionismo comercial -, Trump se apresentou na quinta-feira como um agente da mudança, em contraposição a Hillary que, segundo ele, representa o establishment e favorece os ricos e poderosos.
Ao chamar novamente Hillary de "mentirosa", propôs reforçar as normas éticas do governo e combater o tráfico de influência.
Além de integrar Bannon em seu comando, Trump nomeou como diretora de sua campanha a pesquisadora republicana Kellyanne Conway, especialista em comunicação com as mulheres.
Apelo aos eleitores negros
Para demonstrar seu espírito aberto, o republicano detalhou seus projetos em educação para acomunidade negra, que se inclina em 90% pelos democratas, mas que sofre desproporcionalmente com a pobreza e a precariedade.
"Não descansarei até que as crianças deste país, não importa qual seja sua cor, formem totalmente parte do sonho americano. Se os eleitores afro-americanos derem seu voto a Donald Trump, obterão um resultado incrível", disse.
No campo democrata, esta postura mais tolerante de Trump era ironizada. "As desculpas desta noite são simplesmente uma frase bem escrita até que nos diga qual de seus muitos comentários ofensivos lamenta e até que mude o tom de suas palavras", disse Christina Reynolds, vice-diretora de comunicações da campanha de Hillary.
A nova faceta de Trump agradou muitos de seus seguidores. "Gostei muito do tom. Acredito que era algo que tinha que dizer. Estou tão feliz por ter feito isso", disse Annette Fitch, de 55 anos.
Mas Hans Peter Plotseneder, um austríaco naturalizado americano de 71 anos, opinou que perdeu "um pouco deste toque pessoal". "Espero que não se torne muito politicamente correto", disse.
Fonte: globo.com
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