Um homem morreu na manhã de ontem no meio da rua em Teresina e o seu corpo só foi resgatado cerca de 8 horas depois, para a revolta dos parentes e amigos da vítima que se viram obrigados a improvisar um velório com velas acessas, numa cena macabra para quem passava. O problema foi provocado pelo excesso de burocracia e falta de comunicação entre os órgãos que fazem a segurança pública no Piauí.
Eram aproximadamente 6 horas quando José dos Santos Júnior, 46 anos, alcoólatra, saiu de sua casa na rua Rui Barbosa, no Pirajá, rumo a algum boteco aberto da região. No cruzamento das ruas Almirante Tamandaré com Santos Dumont, ele começou a passar mal. Sentou-se e morreu imediatamente.
Os parentes foram logos avisados e a Polícia foi chamada e ai o drama dos parentes de Santos só aumentou. Uma equipe do Rone, da PM-PI esteve no local, mas ao invés de chamar outra equipe para preservar o local, foi embora ao saber que Santos havia tido morte natural.
O Instituto de Medicina Legal (IML) também foi avisado para apanhar o cadáver, mas não o fez alegando que, por ser morte natural, caberia ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT) mandar uma equipe para fazer o resgate do corpo e levar para o seu necrotério.
Enquanto isto o tempo se passava. Uma filha da vítima identificada como Isa Laura Martins Santos, disse que o corpo começava a queimar com o sol causticante de Teresina e para não ver a pele soltando os parentes resolveram por conta e risco, tirar o cadáver do lugar original e levar para a sombra. Lá também foram colocado velas e não aparecia nenhum carro para levar o corpo.
Por volta das 14 horas uma equipe do PH entrou em contato com um auxiliar de necropsia de plantão no IML. O homem disse que o IML só pode apanhar os corpos depois de ser avisado pela delegacia da área. “Cabe ao 2º DP entrar em contato com o IML e a perícia para que os exames sejam feitos, mesmo porque somente o legista pode determinar a causa da morte e aqui não chegou nenhuma ordem da delegacia para proceder o traslado do corpo até este órgão”, disse o homem que pediu para o nome não ser revelado.
Pouco tempo depois os parentes da vítima foram novamente ao IML e o pessoal de plantão entrou em contato com os 2º DP (Primavera), que autorizou a remoção do cadáver. Para os familiares, se o corpo tivesse sido levado por eles por conta própria para o velório em casa, imediatamente iriam aparecer as autoridades ameaçando de prisão e processo.
Fonte: da redação