Sem água há mais de 20 horas, a população formou longa fila numa bica em frente ao portal de acesso ao Parque da Cidade, na zona Norte de Teresina
Ardendo num calor de 40º à sombra dos dias mais quentes e secos b-r-o-bros da última década, Teresina amanheceu sem água. E sem saber de nada. A população se virou do jeito de pode para ir para a escola, trabalho, compras... enfim. Valeu até usar a água da geladeira para escovar os dentes, molhar o rosto, dar uma arrumada no cabelo e ir em frente. Vida que segue.
Mas o que parecia ser um problema rotineiro, já que falta de água é uma constante em todos os bairros da capital, transformou-se num caos no começo da tarde, quando os telejornais mostraram a dimensão do problema. Os mais estressados correram aos supermercados, shoppings, mercearias, quitandas e ate no botequim para comprar todos os estoques de água mineral. Houve até quem comprasse um caminhão de garrafões para revender, a R$ 30 cada um.
Outros, menos tensos ou afoitos, optaram pelas piscinas das academias e clubes, onde além de matar o calor, puderam tomar um bom banho, já que a maioria deles possui poço tubular e caixa-d’água. Atônita, a população, os consumidores da capital atendidos pela Agespisa buscavam uma explicação, exigiam uma solução rápida. Mas...
Sem um plano emergencial, um “plano B” em caso de acidente da maior proporção, como o ocorrido na Estação de Tratamento do Distrito Industrial, na zona Sul de Teresina, a Agespisa se limitou a divulgar notas de esclarecimento, ganhando tempo para tentar encontrar uma saída para o caos provocado pela falta de energia na susbestação de 65 KW da Eletrobras, instalada especificamente para movimentar todo o complexo que produz cerca de 250 milhões de litros de água potável por dia. Teresina vai dormir sem banho, suada, com sede, aborrecida.