A cara fechada do prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, demonstrava toda a irritação dele, ontem à noite, na festa de inauguração da nova sede da Câmara Municipal de Teresina, ao ser questionado sobre o asfaltamento da rua onde mora uma filha. "Não envolva minha família em questões políticas. Falem de mim, me denuncie, mas respeitem a minha família", repetiu.Sílvio Mendes tentou justificar o motivo da obra ter começado e ser paralisada logo em seguida, a poucos metros da casa da filha."Tem um buffet na rua 31 de Março, onde mora a minha filha. Foi feita a pavimentação nessa rua, mas não chegou até a casa dela. E agora colocam como se eu estivesse querendo dar benefício a ela. Não é verdade. O calçamento da minha rua é um dos piores de Teresina. Não é porque ela é minha filha que ela vai ser beneficiada. Isso é uma acusação leviana. Me incomoda essa molecagem, que tem interesse para desqualificar, e tem interesse político envolvido", reclamou o prefeito, irritadíssimo A reportagem que irritou Sílvio Mendes foi assinada pelo blogueiro e jornalista Efrém Ribeiro: "Os moradores da Rua 31 de Maio no Planalto Ininga, na zona Leste de Teresina, já não tinham mais esperanças de ganhar asfalto. As reivindicações anteriores nunca foram atendidas pela Superintendência de Desenvolvimento Rural e nenhum outro outro órgão da Prefeitura. Foi com alegria e surpresa que os moradores viram máquinas e funcionários da Prefeitura de Teresina há duas semanas trabalharem com pressa para asfaltar a rua. Terminado o trabalho, todos os moradores da rua, exceto os beneficiados com os cem metros de asfalto ficaram decepcionados. Os cem metros de asfalto, iniciados no cruzamento da Avenida Homero Castelo Branco com a Rua 31 de Maio, terminaram justamente no número 1896, a do Buffet Fátima Camarço, no Planalto Ininga. Antônia Maria do Livramento diz que no mesmo endereço moram Fátima Camarço e seu marido Antônio Oliveira. José Francisco da Silva, o jardineiro da casa do médico Haroldo Azevedo e de sua mulher, Maria Soraya Azevedo, disse que os vizinhos procuraram os trabalhadores da Prefeitura reclamando porque o asfalto não se estendeu para o restante da rua. "Dona Soraya falou para os homens que estavam trabalhando ser uma injustiça o asfalto ter ficado apenas até uma casa e não ir até o final da rua", declarou José Francisco. A obra da Prefeitura causou constrangimentos nos moradores porque ficou a ideia de privilégios de uns e indiferença em relação aos outros moradores. O superintendente de Desenvolvimento Regional Sul, João de Pádua, afirmou que o asfalto foi solicitado pela dona do Buffet Fátima Camarço para facilitar o acesso das pessoas que vão aos eventos realizados no estabelecimento. "Não asfaltamos mais porque não temos recursos suficientes", declarou João de Pádua."
Fonte: Redação