Senadoras e deputadas fizeram nesta quarta-feira um ato de desagravo à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A bancada feminina do Congresso formada por 47 deputadas e nove senadoras reuniu-se com a ministra para repudiar o discurso feito pelo senador Mão Santa (PMDB-PI), na quarta-feira-passada (02), quando ele chamou Dilma de "galinha cacarejadora". Na reunião que durou cerca de uma hora, no Palácio do Planalto, Dilma atribuiu as críticas que tem sofrido ao fato de ser mulher e ter uma personalidade forte. "A ministra comentou que é uma mulher durona cercada por todos os homens sensíveis do planeta", contou a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC), que liderou o movimento em favor da ministra. Durante o encontro, a ministra ficou emocionada e segurou as lágrimas, quando recebeu das deputadas e senadoras uma nota de solidariedade dirigida a ela. Na nota, as parlamentares afirmam que as mulheres que assumem funções públicas não podem virar alvos de ataques."O senador foi pautado pela disputa política. Não é isso que eu questiono. É legítimo tudo isso, mas à medida que ele expressa preconceito de gênero despolitiza a discussão e deve haver uma reação", afirmou a deputada Manuela D"Avila (PC do B-RS), pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre. De acordo com parlamentares, ao receber o documento das deputadas e senadoras, Dilma fez um desabafo afirmando que é chamada de durona e que talvez por suas ações no governo federal tenha virado alvo de críticas. "A disputa política tem limites. Em nome de se usar o direito da oposição, não se pode destruir os princípios elementares da convivência política humana. As mulheres brasileiras não são "galinhas" nem "cacarejadoras". Expressões como essas só fazem ampliar a cultura da desvalorização e do preconceito contra aquelas que dão a sua vida para gerar uma nova sociedade desenvolvida e justa a ser legada a seus filhos", diz um dos trechos da nota, assinada por parlamentares de vários partidos e representantes de organizações não-governamentais. Protesto Em apoio à ministra, deputadas e senadoras decidiram que farão diariamente pronunciamentos nos plenários da Câmara e do Senado em repúdio ao discurso de Mão Santa. "O que o senador Mão Santa agride a todas as mulheres de forma geral. É um absurdo completo. Não há como uma mulher não se sentir agredida por isso", reagiu Perpétua. Ontem à tarde, um grupo de mulheres parlamentares protestou no plenário do Senado, mas antes entregou à biblioteca da Casa uma boneca de pano e uma galinha empanada com o objetivo de simbolizar a diferença entre uma mulher e uma ave. Mão Santa pediu a palavra para falar em plenário. O peemedebista negou que tenha tido a intenção de agredir alguém e que ao citar a expressão "galinha cacarejadora", ele fez uma análise política. Na semana passada, Mão Santa disse: "Só há uma culpada nisso "tudinho": é a ministra Dilma. Se nós formos buscar na história de Hitler, eles dizem que Goebbels [um dos principais nomes do partido nazista alemão] orientava o partido dele até uma galinha cacarejadora para ficar gritando: as obras, as obras, as obras antes de fazer e depois. Isso aí, esse negócio de apelido é outro. Ela [Dilma] pode ser muito bem a galinha cacarejadora desse governo. A história se repete".
Fonte: UOL