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Senador Heráclito Fortes pediu a expulsão do DEM do vice-governador do

Piauí Hoje

Teresinha

13 de junho de 2008 às 03:06


O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) apresentou ontem (12) à Executiva Nacional do partido Democratas, pedido de expulsão do vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, que usou gravações clandestinas de conversas suas com autoridades do governo para fundamentar denúncia de corrupção na administração estadual.Feijó foi chamado a Brasília na quarta-feira (11), pelo presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), para dar explicações sobre o episódio que provocou uma crise ética no governo local e abalos na aliança nacional com o PSDB da governadora gaúcha Yeda Crusius.Foram duas horas de conversa reservada, testemunhada apenas pelo presidente do DEM gaúcho, deputado Onyx Lorenzoni (RS), e pouco resultado concreto. Maia condenou "o método equivocado" do vice, que acabou fortalecendo os adversários do PT gaúcho e prejudicando o projeto político da aliança com o PSDB e o discurso nacional dos democratas contra os grampos telefônicos e dossiês do governo Lula para intimidar a oposição. Mas, ao final, deu sinais de que o pedido de expulsão não irá adiante. Admitiu até que, por ele, o assunto estaria encerrado ali, e nem seria levado à executiva.Feijó, por sua vez, saiu do encontro dizendo que não se arrepende "de forma alguma" do que fez. Ele insistiu que seu objetivo jamais foi o de prejudicar a governadora Yeda. "Eu a considero séria, sempre considerei, continuo considerando, e entendo que ela tem pontos positivos, como o ajuste fiscal no governo", destacou o vice, que vive às turras com Yeda desde o início do governo. Em seguida, porém, deixou claro que poderá repetir o "método" criticado pela direção partidária, "desde que houver indício de irregularidade".Informado das declarações do vice gaúcho, o senador Heráclito afirmou que a executiva nacional terá de analisar o fato, até porque o assunto está na pauta da reunião. "Não tem como não examinar o caso. A executiva pode até me derrotar, mas não pode fingir que o episódio não aconteceu", completou o senador, insistindo que não abre mão de apresentar o pedido de expulsão ao conselho de ética do partido."Acho que neste caso cabe no mínimo uma censura (da direção ao vice gaúcho)", avaliou Heráclito. Ele argumentou que, do momento em que combate "este tipo de comportamento do Feijó", não pode concordar que o episódio seja ignorado pelos dirigentes do partido.Setores da direção partidária, no entanto, ponderam que o melhor caminho, até para não criar mais problemas para a governadora Yeda, é evitar a expulsão de Feijó. Alguns dirigentes dizem que a prioridade é unir forças com o PSDB em uma operação nacional para salvar o governo gaúcho, que está mergulhado em profunda crise.Nas conversas de bastidor, Rodrigo Maia defende a tese de que o DEM não pode deixar dúvida de que não compactua com nenhum tipo de irregularidade ou corrupção e que problemas desta natureza devem ser levados às autoridades competentes. Adverte, porém, que o melhor é jogar para o futuro, com uma nota oficial da executiva reafirmando o apoio e a confiança na "honrada" governadora.Onix Lorenzoni também trabalha para contemporizar. Diz que não foi consultado sobre as gravações de Feijó, o amigo empresário que estreou na política disputando o posto de vice na chapa de Yeda. "Só agora ele tomou contato com a dimensão nacional do problema, que não se resume a uma crise de relacionamento com a governadora, uma vez que está em jogo a aliança com o PSDB", ponderou Onix. De outro lado, acrescentou, a direção nacional também está se dando conta de que "havia antecedentes neste caso" que, a seu ver, deve ser compreendido no cenário maior, e não como episódio isolado.O vice-governador gravou uma conversa entre ele o chefe da Casa Civil do estado, Cézar Busatto, onde este reconhecia o uso de empresas estatais do governo gaúcho para o financiamento de campanhas eleitorais.Sem saber que estava sendo grampeado, ele mencionou PP e PMDB, principais partidos de sustentação política de Yeda, como beneficiários da prática em órgãos estatais que comandam, como o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e o Detran. A governadora classificou o comportamento do vice como "indigno".Além de Busatto, no último sábado, dois outros membros do primeiro escalão do governo gaúcho e o comandante-geral da Brigada Militar foram demitidos por Yeda. O secretário-geral de Governo, Delson Martini, o chefe do escritório de Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante e o coronel Nilson Bueno tiveram que deixar suas funções.A crise começou com as denúncias de corrupção no Detran, que resultou numa CPI na Assembléia Legislativa para investigar os casos de corrupção do governo. Depois da divulgação da gravação, Yeda anunciou a demissão de Cézar Busatto, do secretário de Governo, Delson Martini, e do chefe do escritório de representação do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, na última sexta-feira.Assim que Heráclito entrar com o pedido de expulsão, o partido deve nomear um relator que dará um parecer ou pela expulsão dos quadros do DEM ou pelo arquivamento do pedido. A decisão final caberá à Executiva, que votará o parecer do relator.Em dezembro do ano passado foi criada a CPI do Detran, que investigou pessoas ligadas à base aliada da governadora Yêda Crusius. O foco da CPI eram denúncias do desvio de R$ 44 milhões no processo de licenciamento de motoristas do Estado, de 2003 a outubro de 2007, para verba de campanha.Operação RodinA fraude foi constada na Operação Rodin, deflagrada pela Polícia Federal, que indiciou 40 pessoas, entre elas o ex-tesoureiro da campanha de Yêda ao governo estadual, Lair Ferst, e o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto.Através de duas entidades ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Fatec (Fundação de Apoio à Ciência e à Tecnologia) e a Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados), e das empresas Rio del Sur Consultoria e Newmark, estas últimas de propriedade de Ferst, o esquema superfaturava os exames teóricos e as provas práticas para a concessão de carteiras de motorista.O Ministério Público Federal revelou, na semana passada, que o dinheiro desviado teria como um dos destinos a compra de imóveis de luxo em Porto Alegre e em Gramado, no Rio Grande do Sul. De acordo com o MP, a empresa Rio del Sur Ltda., de familiares de Ferst, adquiriu imóveis entre setembro de 2004 e março de 2006.

Fonte: Agência Brasil



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