O deputado Xavier Neto (PR) foi o primeiro orador na sessão desta terça-feira (20), para "recolocar a verdade no seu devido lugar, sobre o seqüestro do médico Benedito Borges da Silva, na madrugado do dia 3 de outubro por dois homens. Benedito foi trancado no porta-malas de seu carro e abandonado desacordado na avenida Maranhão, depois de ser brutalmente espancado. "Estimo e devoto o maior apreço ao Dr. Benedito, pela qualidade profissional, da virtude de homem, de ser humano, de pai de família, bom esposo, bom a amigo, que teve um itinerário de vida muito conturbado por conta das dificuldades para conquistar um lugar ao sol. A admiração vai além da amizade pessoal, por ser um homem pobre que graça à sua tenacidade conseguiu ser médico, hoje pós-douturado e conhecido em todas as rodas médicas com capacidade inquestionável", ressaltou.Xavier Neto lembrou que Benedito Borges foi seqüestrado e covardemente agredido. "Eu chamaria a atenção do secretário, se não fosse pelo episódio de Francinópolis, seria pelo que ele disse do Dr. Benedito, que foi exposto pela autoridade pública e atingido na sua honra. A sociedade piauiense precisa voltar os olhos para aquela figura que está com sua honra conspurcada por causa da pressa de uma autoridade. Foi atingido de morte na sua honra pelo secretário de Segurança, que foi às TVs para mostrar que a vítima tinha culpa, a partir do depoimento dos acusados. No fim de semana, Dr. Benedito foi aos jornais para reclamar que estava passando de vítima a réu pela maldade que foi perpetrada", explicouXavier Neto leu a nota "Em defesa da honra", publicada na imprensa, "para que atitude precipitadas não voltem a se repetir. Nesse episódio, o Estado e não o agente tem que ser responsabilizado por conta de atitudes precipitadas desse agente públicoXavier leu o seguinte artigo: "Eu sou! Benedito Borges da Silva, cidadão piauiense casado com a senhora Maria de Fátima Soares, há 30 anos, pai da médica Umbelina Borges, da dentista Carine Borges e do estudante de medicina Rafael Borges. Sou médico ginecologista e mastologista, fiz especialização em Brasília e no Rio de Janeiro, sou mestre e doutor pela Escola Paulista de Medicina, sou pós-doutor pela Unicamp, sou professor universitário, sou coordenador de mestrado de ciências da Universidade Federal do Piauí, onde oriento mestrandos e doutorandos, ex-diretor do HGV e sou atual coordenador da clínica ginecologia o HGV e chefe do ambulatório de mastologia. Publiquei inúmeros artigos científicos nacionais e internacionais fruto de minha incansável pesquisa na busca de soluções de problemas de saúde publica, sou um bom filho, um bom irmão, um bom amigo e um bom marido e tenho certeza de que sou um excelente pai. Eu fui, na noite do dias 02 de outubro de 2009, covardemente seqüestrado por dois delinqüentes enlouquecidos e enfurecidos, os quais queriam roubar os meus bens e meu dinheiro, quando fui impiedosamente humilhado, torturado, esganado, machucado, lesionado até perder a consciência, para em seguida ser trancado no porta malas de meu próprio carro e abandonado por um longo tempo. Tudo isso me causou uma dor insuportável, até a perda de meus sentimentos, quando ainda sem entender tamanha brutalidade, acordei em uma UTI do Hospital São Marcos, sem saber onde estava e o que realmente teria acontecido, apenas sentia dores insuportáveis. A maior dor que um ser humano poderia suportar eu suportei quando estava na mão de algozes, mas o meu sofrimento ainda não havia findado, pois ainda me faltava experimentar a mais profunda dor e aguda dor que um homem pode sentir, a qual acerou o meu coração, atingiu a minha honra e desestruturou a minha família. O estado do meu querido Piauí, por intermédio de uma das suas mais importantes autoridades, quando ainda estava indefeso em um leito do Hospital São Marcos, como indefeso ainda estou, autoridade esta que simplesmente com base em informações falsas dos delinqüentes, vilipendiou minha vida, com ilações injustas, maldosas, desabonadoras da conduta de um bom marido e de um pai de três filhos, e ainda, divorciadas da verdade, pois claro esta o desejo de me constranger e evitar minhas ações na busca de justiça. Não sei como vou olhar para aquelas pessoas que ainda não me conhecem, pois quanto aos meus amigos, pacientes, alunos e comunidade médica, por me reconhecerem e saberem quem eu sou, não terei qualquer dificuldade em olhar em seus olhos e que inicialmente já fui vitima dos marginais e depois de forma muito cruel fui vitima do estado, quando um de seus agentes me feriu de morte minha hora, minha família e em uma visão mais ampla feriu a sociedade piauiense. Eu vou acionar o Estado, por intermédio do Poder Judiciário do Piauí, a fim de obter reparação do bem injustamente atacado (minha honra), assim como vou exigir a apuração rigorosa da responsabilidade criminal dos meus algozes, como forma de minimizar a dor e a injustiça de que fui vítima. Eu continuo cidadão do sexo masculino, homem íntegro, pai, marido, amigo, filho, irmão, médico, pessoa simples e sem bravatas como sempre fui. Só que agora estou profundamente ferido na mais sensível parte do meu ser, que é a minha honra. Que Deus me proteja e livre meu povo do mal. Muito obrigado a todos. Fátima, Carine, Umbelina, Rafael, Minha esposa e meus filhos. Só quem defende a sua hora é quem é honrado."Apartes O líder do PT, deputado João de Deus, ressaltou que, como homem público e como líder da bancada do Partido dos Trabalhadores, tem que condenar a infelicidade do secretário Robert Rios e ser solidário ao Dr. Benedito, pela sua história, pela sua luta, que fique de lição para as autoridades para que sejam comedidos em suas posições. Ainda que houvesse a investigação, o secretário não teria direito de ir para televisão expor esse tipo de informação.O deputado Edson Ferreira (DEM) também se manifestou. "Causou estranheza pela brutalidade, pelo caráter de marginalidade, dada à versão oficial, que não bate com a verdade. Só temos é que lamentar que o secretário não tenha ouvido o médico, que ainda estava na UTI quando teve o seu nome exposto. O dano já foi cometido, com conseqüências imensuráveis". Xavier Neto prosseguiu o discurso, duvidando que dos 30 deputados, existisse um só que defendesse o comportamento do secretário de Segurança. "Eu não vislumbro nenhum que possa dar um pitaco em defesa dos destempero do secretário de Segurança. Em que essa exposição da honra do Dr. Bené contribuiu para diminuir a marginalidade?", questionou.A vice-presidente da Assembléia Legislativa, deputada Flora Izabel (PT), defendeu que as autoridades pensem melhor "antes de abrir a boca para falar sobre qualquer assunto"."A vida pessoal deve ser preservada sob todos os aspectos. Como é que o secretário de Segurança expõe a versão apenas de uma parte, já que a outra estava inconsciente no leito de uma UTI. Eu sempre me manifestei pelo direito de escolha, do livre arbítrio sobre a sexualidade de acordo com as consciências. Nem que se essa fosse verdade, não poderia ter acontecido a exposição da honra alheia por parte de uma autoridade".Flora aproveitou para condenar o ataque do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) ao seu colega de Senado, Educardo Suplicy (PT-SP). "Indigna a postura do senador Heráclito Fortes por chamar de corno um colega, ao vivo, como ele fez com o senador Educardo Suplicy. Nenhum senador mereceria ser tratado da forma como foi. Extrapola do mérito da política para o campo do ataque pessoal à honra", lamentou.O deputado Antonio Uchôa (PDT) parabenizou o discurso do deputado Xavier Neto "em defesa de um excelente profissional, um pai de família, que teve a sua imagem maculada para o resto da vida". "A acusação tem a velocidade de oito para um e a defesa de um para três. Portanto do Dr. Benedito jamais vai ser reparada", acrescentou.Outro a condenar a exposição do episódio do seqüestro do médico foi Paulo Martins (PT). "Não sei o que leva uma autoridade a expor um cidadão, uma família, da forma como fez o secretário, no momento em que a família, os amigos, estavam juntos, em oração, para que a saúde do Dr. Benedito fosse restabelecida. Temos que denunciar a baixaria na política do Piauí, que tem sido muito presente. O que leva um senador da República a chamar um outro senador de corno. Vamos exigir do presidente do PT, do líder do partido nesta Casa, que repudiem os ataques contra o senador Eduardo Suplicy. Sei que recuperar a saúde do médico vai ser demorado, mas mais difícil será repara a ofensa à honra dele e de sua família, portanto, defendo que esta casa deve aprovar uma nota de apoio à família para dizer que nós não apoiamos esse tipo de atitude". Xavier Neto disse que a fala dos deputados mostram que o Dr. Bené tem a admiração e o respeito da Assembléia Legislativa, "que deixou bem claro que repudia aqueles que na surdina atentam contra a honra de quem conseguiu vencer na vida, de constituir uma família, com dignidade e equilíbrio".
Fonte: Alepi