Teresinha
24 de outubro de 2016 às 10:10
Dia 23 de outubro de 2016. Um domingo, céu de brigadeiro e calor de rascar o cano. Pino do meio-dia. Temperatura superior a 40°C à sombra. Do segundo andar do Bloco 1, do Centro Administrativo, observo uma senhora trabalhando “no sol quente”.
Ela é Irene, aliás “Irmã”, como é chamada carinhosamente pelos muitos clientes, servidores de várias secretarias que fazem refeições no trailer que ela cuida com muito zelo, junto com a família. Café, lanche, almoço... Comida caseira da boa.
Na mão a tinta, no que parecia uma embalagem de água sanitária cortada ao meio. Na outra, o pincel, que subia e descia com grande desenvoltura.
O marido, Seu Manoel, “pau pra toda obra”, terminava um pedaço de calçada e fixava dois canos para receber a cobertura nos fundos do trailer. Na certa para abrigar a pia de lavar louça. O filho Isneto também ajudava na obra.
Termino meu trabalho. Desligo o computador. Apago as luzes. Desço com o astral elevado pelo dever cumprido e com a cena daquela mulher tralhando em pleno domingo.
Sou recebido por um sorriso largo. Quero abraça-la, mas contenho-me num aperto de “braço”. Nas mãos da Irmã, muita tinta. “O senhor vai se sujar”... Que nada! Aperto a mão daquele exemplo. “Obrigado”. Ela não entende e solta uma gargalhada, tenta esconder o rosto com as costas da mão do pincel.
Agradeço a ela - e a Deus - por existirem Irenes, com força de vontade, dignidade e perseverança, gente que não reclama da vida, não fala em crise, não espera, corre atrás, faz acontecer. Ganhei o dia! Quer dizer, ganhamos!
Da janela, o exemplo de dignidade e perseverançaFoto: Paulo Pincel