Geral

REFERÊNCIA

Professor e um dos fundadores do PT, José Álvaro Moisés morre afogado em São Paulo

Ele foi uma das principais referências da ciência política no Brasil

Dulce Luz

14 de fevereiro de 2026 às 17:40


José Álvaro Moisés foi referência na ciência políitica
José Álvaro Moisés foi referência na ciência políitica

O professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores), José Álvaro Moisés, de 81 anos, morreu afogado na praia de Itamambuca, em Ubatuba, na última sexta-feira (13). A identidade da vítima foi confirmada na manhã deste sábado (14) pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e pela Polícia Civil.

De acordo com o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental. Consta no documento que uma amiga de José Álvaro relatou à Polícia Civil que estava na praia com o professor aposentado e outros amigos na tarde de sexta-feira (13). Segundo o registro, o grupo chegou ao local por volta das 17h30. 

Em determinado momento, os amigos perceberam a ausência do professor. Pouco depois, foram informados de que uma pessoa havia se afogado e sido socorrida por uma unidade do Samu. O corpo foi encaminhado aos serviços funerários e chegou na manhã deste sábado (14) ao Instituto Médico Legal de Caraguatatuba, onde passou por exames de necropsia.

PT lamentou a morte e destacou o papel do professor na política nacional e na luta por democracia

Segundo a família, o velório deve ser realizado na manhã deste domingo (15), das 8h às 11h, no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Após a cerimônia, o corpo será cremado.

O Partido dos Trabalhadores lamentou a morte de José em nota e destacou o papel que o professor teve na política nacional e na luta por democracia. Confira:

"O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente o falecimento do cientista político José Álvaro Moisés, aos 81 anos. Professor da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do PT em 1980, José Álvaro Moisés teve papel relevante no debate público brasileiro e na consolidação da ciência política como campo de reflexão crítica sobre a democracia, as instituições e a participação popular. Sua trajetória intelectual esteve marcada pelo compromisso com o estudo das instituições democráticas e pelo acompanhamento atento da vida política nacional.

Moisés sempre se colocou no campo do debate democrático, contribuindo para o pluralismo de ideias que fortalece a sociedade brasileira. Neste momento de pesar, o PT se solidariza com familiares, amigos, colegas da Universidade de São Paulo e com toda a comunidade acadêmica".

Em nota, a USP lamentou a morte do professor e destacou o legado deixado por ele. Veja a nota completa:

"É com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento do professor José Álvaro Moisés, que tão enorme legado deixa ao Departamento de Ciência Política da USP, à FFLCH, e à ciência política brasileira em geral. Moisés, como lhe conhecíamos, mantinha uma atividade intelectual prolixa e engajada, e com frequência recebíamos suas notícias sobre a organização de seminários, e suas reflexões sobre o futuro da democracia brasileira, direitos humanos e cultura política, áreas nas quais dirigia fóruns como o de Formulação dos Direitos e o Fórum da Democracia. Ele foi fundamental na organização do DCP-USP nos anos oitenta, da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da International Political Science Association. (IPSA).

José Álvaro Moisés, graduado em ciências sociais pela USP em 1970, mestre em política e governo pela Universidade de Essex, em 1972, e doutor em ciência política pela USP, em 1978, foi professor visitante do Centro Latino-americano da Universidade de Oxford em 1991 e 1992).

Ultimamente, atuou como professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, Coordenador do Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia do mesmo instituto e pesquisador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, do qual foi diretor de 1995 a 2017.

O professor foi também Secretário de Apoio à Cultura (1995-1998) e Secretário de Audiovisual (1999-2002) do Ministério da Cultura e coordenou a pesquisa Cultura e Democracia (1998/2002) realizada pelo Ministério e a Universidade de Maryland com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Entre seus principais livros, estão: A Crise da Democracia Representativa e o Neopopulismo no Brasil (konrad adenauer, 2020); Crises da Democracia o Papel do Congresso, dos Deputados e dos Partidos (appris, 2019); A Desconfiança Política e os seus Impactos na Qualidade da Democracia (edusp. 2013) e Democracia e Desconfiança por que os Cidadãos Desconfiam das Instituições Públicas (edusp, 2010).



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction