O deputado Marden Menezes (PSDB) pretende propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as irregularidades no convênio entre o Governo do Estado e a Associação Pro-Brasil, que recebeu R$ 196 mil da Secretaria de Saúde, na gestão do ex-secretário, deputado Assis Carvalho (PT)."Enquanto eles estão se degladiando por coligações, o povo toma conhecimento de denúncias como essas, de desvio de dinheiro público, um caso de polícia, de camburão, de algema. A Secretaria de Saúde tem servido aos interesses inescrupulosos de políticos, que na ânsia de conquistar cargos públicos, abandonam a população do Piauí à própria sorte, afrontam a Justiça, o Legislativo e metem a mão no dinheiro público", denunciou Marden, da tribuna.Segundo avaliação do deputado, a denúncia de "um homem forte de Wellington Dias" é a prova que nem os membros do atual governo aceitam mais os "descalabros, esses golpes, esses assaltos contra o erário público e os interesses do Piauí"."Em se tratando de roubo, de assalto na Secretaria de Saúde, não se pode aceitar que o ex-secretário possa sair sem pagar pelos crimes cometidos. E não foi um só, foi uma dezenas de crimes, escândalos que deveriam tirar da vida pública boa parte daqueles que ocuparam a Secretaria de Saúde.Marden Menezes disse ter documentos comprovando o desvio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde), "até de formação de quadrilha nesse episódio da policlínica de Picos".O deputado detalhou como seria montado um "esquema" para desviar R$ 49 mil por meses, durante 12 meses. Caberia à Associação Pro-Brasil construir um prédio onde funcionaria a policlínica na cidade de Picos. Caberia ao Estado equipar e colocar a clinica para funcionar. Os serviços prestados pela clinica seria feito pelo Estado, que bancaria, com recursos do SUS, 60% do atendimentos feitos pela policlínica. "Ou seja, a Pro-Brasil receberia 60% pelo serviço de saúde executado pelo Estado"."Essa foi a tentativa mais esdrúxula de aplicar um golpe no povo do Piauí, um golpe grosseiro que atenta contra a inteligência da população piauiense. A sociedade de Picos, médicos, sabendo dessa armação, ingressaram na justiça para suspender a licitação para a compra de equipamentos. Sabem o que o Sr. Assis Carvalho, que não tem o menor respeito pela Justiça e pelo povo, baixou, no dia 26 de março de 2010, no dia que ele saiu da Saúde, uma portaria revogando o pregão determinado pela Justiça. Ato continuo, abriu um novo procedimento para adquirir os mesmos equipamentos, só mudando a nomeclatura do processo de compra, uma afronta a Justiça, uma licitação quebra galho, que inclusive envolve a Central de Licitação do Estado, um órgão que deveria estar acima de qualquer suspeita", ressaltou.Marden disse que o caso era de polícia, "de cassação de mandato, de responsabilização severa e punição exemplar. Infelizmente no nosso combalido Piauí, essas práticas se tornaram comum e são hoje virou praxe de um governo que tem que slogan Governo do Desenvolvimento. Do quê? Do bolso dos gestores, da campanha milionária, da compra de votos? O desenvolvimento da saúde lá não chegou. E o Assis Carvalho continua dando as cartas no governo que aí está", acrescentou.Ainda segundo o deputado, um requerimento aprovado hoje (11) na Assembléia Legislativa pede que se investigue a gestão dos recursos do SUS na região de Picos vai revelar muito mais escândalos. "Isso aqui é apequena ponta de um enorme iceberg, de uma rede de corrupção instalada na saúde do Piauí, que anda sucateada. Nós vamos aqui aturar tantos escândalos, olhando para os responsáveis e recebendo risada, deboche, desprezo, como se o máximo que eles pudessem receber fossem um processo, dos quais não tem medo. Onde estão as instituições deste Estado e deste país. Até quando o Piauí vai suportar isso?", indagou.O deputado Mauro Tapety (PMDB) considerou "estranho" o comportamento do deputados do PT em relação ao requerimento apresentado pelo deputado Kleber Eulálio, "que atirou e acertou no que não queria". "O deputado Kleber é um homem sério e conhecedor do que acontecia no governo. Nós estamos apenas puxando o fio da meada. É só uma das ONGs que tinham convênio com o governo do Piauí. Já denunciamos que ONGs receberam da Educação quase R$ 12 milhões. A base aliada começa a se desfazer e isso vai permitir que investiguemos o que antes não conseguíamos. Vamos conseguir uma CPI para mexer nos escândalos da Saúde e da Educação. O povo do Piauí precisa de resposta. A Pro-Brasil pagou a quem com o dinheiro pago pelo governo?. Existe funcionário para receber R$ 50 mil? Cadê os carros alugados? Como o deputado Kleber pediu as informações, o repasse parou. Nós estamos denunciando e queremos saber. O dinheiro não está indo para pagar servidor, mas para o bolso de alguém", denunciou Tapety. RepetiçãoMarden Menezes disse que não foi a primeira e nem a segunda vez, mas pelo menos dez escândalos relacionados às gestões de Assis Carvalho. "A impunidade é uma desmotivação para quem quer fazer política de maneira digna..."Nerinho também pediu a palavra para afirmar que não se furtará de assinar a CPI para investigar o escândalo da policlínica de Picos. E parabenizou Marden pela atitude. Quero crer que o deputado Assis Carvalho assinou esses procedimentos e o fez sem saber. Se o fez de maneira consciente, o fato é grave. Quero crer que ele se equivocou, pois se o fez de maneira pensada, vai ter que pagar pelo que fez... Há mais de dez anos que não havia um tomógrafo em Picos e as clínicas compraram o equipamento... Parabenizo pela coragem do discurso", repetiu.Concluindo, Marden Menezes afirmou que os quatro repasses de R$ 50 mil, que teriam ido parar numa folha fantasma, daria para empregar 86 cidadãos de Picos. "Todo golpe planejado através desse convênio seria, de uma forma mais transparente: o Estado montaria um hospital em Picos, administrado pela ONG. Essa entidade, além de não prestar o serviços, receberia 60% dos recursos do Sus pelos serviços prestados pelo Estado. Chamo atenção dos procuradores, promotores, apelo amor de Deus, que apareça alguém para dar um basta nesse descalabro na área da saúde, porque representa a vida, o futuro de uma sociedade".Com relação à CPI, Marden Menezes, disse que "por se tratar de um período eleitoral, pode ser um tiro do escuro. "Às vésperas de uma eleição, se houver um entendimento da bancada de oposição, nós apresentaremos um requerimento propondo a CPI. Mas só se houver um entendimento. Não adianta abrir uma CPI e ela ser esvaziada pelo período eleitoral".
Fonte: Redação