Quatro policiais civis pernambucanos, réus confessos do assassinato José Alfredo da Silva Irmão, vulgo “Zé Pequeno”, em um confronto ocorrido no ano de 1998 na cidade de Patos do Piauí, foram levados a Júri Popular ontem(07) no Fórum Desembargador Fernando Lopes Sobrinho, em Jaicós, e absolvidos.
O fato confronto ocorreu por volta das 05h00, durante a realização de diligências da Polícia Civil do Estado do Pernambuco na cidade de Patos do Piauí, que objetivavam capturar “Zé Pequeno”, acusado de assassinar dias antes três pessoas da mesma família, sendo um pai e duas filhas, na cidade de Petrolina.
Segundo consta nos autos do processo, os policiais foram recebidos a tiros pelo fugitivo, que se encontrava escondido na residência dos pais na cidade piauiense. No violento tiroteio entre policiais e Zé Pequeno, o mesmo foi atingido com um tiro na cabeça e socorrido pelos policiais. O fugitivo não resistiu às lesões e faleceu a caminho da cidade de Paulistana.
O JULGAMENTO
Presidido pelo Juiz de Direito da Comarca de Jaicós, Carlos Hamilton Bezerra Lima, o julgamento foi breve e durou pouco mais de três horas.
Durante o julgamento, o promotor de justiça Afonso Aroldo Feitosa Araújo, apontou erro formal na atuação dos policiais. Segundo ele, a ação policial deveria ter sido comunicada às autoridades competentes do Piauí. “Os Estados Federados tem soberania e tem que ser respeitado”, declarou, mas pediu a absolvição dos réus, alegando que os mesmos agiram em legítima defesa. “Os policiais não tinham o direito de matar, mas tinham de se defender”, disse, citando ainda declarações de “Zé Pequeno” feitas a familiares, de que estava disposto a matar ou morrer.
Representada pelos advogados Joarley Moura e Dário Pessoa, a defesa dos policiais foi breve e ratificou a tese da prática do crime em legítima defesa e justificou a falta de comunicado à polícia piauiense. “O Estado dá o direito de prendê-lo em flagrante delito”, disse Dário. A defesa relatou o fato ocorrido no dia crime, destacando o preparo dos policiais. No momento do confronto, segundo a defesa, outras três pessoas estavam na residência junto a “Zé Pequeno”, porém, só o fugitivo foi atingido.
Cerca de vinte e cinco minutos depois, os advogados encerraram a atuação da defesa declarando que a missão de ser policial é muito difícil. “Você vai atrás de um bandido em cumprimento a Lei, é recebido a balas, reage e ainda é processado”, argumentou Dário. Para ele, a absolvição dos réus vai valorizar o trabalho da polícia no combate a criminalidade.
Por volta das 13h00, a sentença com a absolvição dos policiais civis Antônio Carlos da Silva, Flávio Antônio Maia de Sousa, Aílton Correia de Melo e Sérgio Olímpio de Sousa Barros, oriundos de Petrolina-PE, foi lida pelo Juiz Carlos Hamilton.
Fonte: cidadesnanet