Após denúncias e reclamações de moradores, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interditou na sexta-feira (12) um circo acampado no povoado Baixa Grande do Ribeiro, da cidade de Monsenhor Gil, distante 56 quilômetros de Teresina. No local, crianças de 4 a 12 anos trabalhavam em apresentações de danças eróticas.
Os policiais do Núcleo de Operações Especiais da PRF se infiltraram no local para realizarem o flagrante. Segundo o inspetor da PRF Wellendal Tenório, logo no início do espetáculo um grupo de crianças se exibia para a plateia e fazia gestos obscenos.
“As crianças eram usadas para atrair os homens. Elas usavam roupas curtas para expor o corpo e faziam movimentos sexuais para as pessoas que assistiam ao espetáculo. Além disso, as crianças também eram usadas para realizarem apresentações de risco, como arremesso de faca e trapézio”, disse o inspetor.
Polícia fecha circo que explorava sexualmente crianças no Piauí. (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
O Conselho Tutelar da cidade foi acionado para identificar os menores. De acordo com a conselheira Conceição Santos, eles serão encaminhados ao juizado na segunda-feira (15). “Vamos apresentar o caso de exploração para o juiz da comarca através de um relatório. Essas crianças estão sem estudar, vivendo em situação precária e expondo seus corpos. É um absurdo”, contou a conselheira.
Wellendal Tenório disse ainda que o circo funcionava sem habilitação e os animais usados nas apresentações estavam em péssimas condições. Segundo o inspetor, todos estavam estressados porque viviam confinados em pequenas jaulas. “O responsável pelo circo não apresentou nenhum documento que comprovasse sua legalidade. O local será interditado até que a Justiça determine o que será feito”, explica.
Animais silvestres foram encontrados no local.
(Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Durante ação policial, cerca de 20 espectadores que estavam no circo tiveram que deixar o local para fiscalização. Na vistoria foram encontrados dois papagaios, dois macacos-prego, além de roupas eróticas usadas pelas crianças nas danças.
A avó das crianças disse que o trabalho delas era normal. “Eu sempre fiz isso. Acho tudo muito normal. Aqui não tinha exploração sexual, pelo contrário, elas aprendiam a dançar e isso é cultura”, afirmou a senhora que não quis se identificar.
Os animais foram encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Teresina, e o proprietário do circo pode responder pelo crime exploração de menores e por posse ilegal de animais silvestres.
Fonte: g1/pi