Horas antes da coletiva que irá anunciar o resultado das investigações e apontar os possíveis responsáveis pelo incêndio na boate Kiss, a Polícia Civil de Santa Maria se reuniu nesta sexta-feira (22) com representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) para apresentar informações sobre o inquérito que investigou as 241 mortes na tragédia. O encontro na Delegacia Regional durou cerca de meia hora.
Na saída da reunião, o presidente da associação, Adherbal Alves Ferreira, não falou com a imprensa. Os delegados Marcelo Arigony e Sandro Meinerz passaram a madrugada na delegacia finalizando os últimos detalhes para a entrevista coletiva, prevista para começar às 14h30 no Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), local onde estudavam 65 das vítimas do incêndio. Uma comissão de familiares das vítimas vai participar da entrevista.
Mobilizados desde os primeiros dias da tragédia, os familiares das vítimas aguardam com expectativa o desfecho das investigações. O presidente da associação, Adherbal Alves Ferreira, acompanhou de perto o trabalho da polícia e confia em punição para os responsáveis. “A expectativa é grande. Confiamos muito no trabalho da polícia. Não queremos vingança, mas sim justiça”, afirmou Adherbal, que perdeu a filha Jennefer, de 22 anos, na tragédia.
O presidente também ressaltou que os familiares esperam que o poder público também seja responsabilizado. Eles questionam o fato da casa noturna ter seguido em pleno funcionamento mesmo com tantas irregularidades, como apontaram as investigações policiais.
O inquérito, classificado pelo chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Júnior, como o “maior inquérito da história” do estado, ultrapassou a marca de 10 mil páginas. São 25 volumes na parte principal, que contém o depoimento de mais de 800 pessoas, e 24 volumes de anexos, com o resultado de perícias, fotos, vídeos e outras provas colhidas.
Entenda:
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 241 mortos na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas por investigadores:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso. - Era comum a utilização de fogos pelo grupo. - A banda comprou um sinalizador proibido. - O extintor de incêndio não funcionou. - Havia mais público do que a capacidade. - A boate tinha apenas um acesso para a rua. - O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.