Geral

PM viu corpo de Amarildo num saco

policial militar que foi ouvido pelo Ministério Público no caso do desaparecimento do pedreiro Amar

Teresinha

16 de outubro de 2013 às 01:10


Major Edson Santos: testemunha afirma que oficial comandou a sessão de  tortura que acabou na morte do pedreiro Amarildo
Major Edson Santos: testemunha afirma que oficial comandou a sessão de tortura que acabou na morte do pedreiro Amarildo
Um policial militar que foi ouvido pelo Ministério Público no caso do desaparecimento do pedreiro Amarildo afirmou que viu o corpo do homem ser colocado pelo então comandante da UPP da Rocinha, o major Edson Raimundo dos Santos, dentro de um saco preto, que seria uma capa de motocicleta do próprio PM que fez a denúncia. Ele também viu uma parte da sessão de tortura que terminou com a morte de Amarildo.

De acordo com o militar, ele estava patrulhando o Parque Ecológico, que fica acima da sede da unidade, quando o pedreiro chegou. Ele era conduzido por oito PMs. Com a chegada do homem, ele e alguns outros policiais receberam ordem do major Edson para ficar dentro de um dos quatro contêineres que servem como base para a UPP.

Lá de dentro, ele começou a ouvir os primeiros gritos do Amarildo e saiu do contêiner, vendo parte da sessão de tortura: o subcomandante tenente Medeiros aplicava choques elétricos e asfixiava o pedreiro com um saco plástico. Outros três policiais participaram ativamente da sessão e outros acompanharam a tortura, inclusive cinco policiais que ainda estão em liberdade.

Depois de ter visto a cena, o policial que fez a denúncia relatou ter voltado para o interior do contêiner, sem que o major Edson o visse. Lá ele ficou até cessarem os gritos. Em seguida, ele pôde ouvir policias gritarem “deu merda”.

As câmeras da UPP registram a saída da testemunha às 22h. Ele contou que, naquele momento, viu alguns policiais e o comandante da base colocarem o corpo dentro de um saco preto. Depois deste momento, ele não viu e nem soube mais do paradeiro do corpo.

Desde o último dia 4, dez policiais militares estão presos, acusados da tortura e morte de Amarildo, além da ocultação de seu cadáver.

\"\"UPP da Rocinha (Foto: Thiago Lontra/Extra)
Influência do major

De acordo com a promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) avalia, a partir do depoimento do PM, a conduta de mais de dez policiais militares que também podem ter participado ativamente da tortura, morte e ocultação do cadáver de Amarildo, ou então podem ter testemunhado o crime sem que nada fizessem.

A denúncia do Ministério Público, na qual já foram acusados 10 policiais pelo crime, será aditada, o que deve ocorrer "em breve", de acordo com a promotora.

Carmen Eliza defendeu ainda que o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha, seja separado dos outros presos. Atualmente, todos estão juntos no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM. O Ministério Público estuda pedir a transferência do oficial para outra unidade.

- Ele (Edson) tem domínio dos policiais e precisa ser afastado desses outros denunciados. É preciso cessar essa influência. A colheita de provas será mais isenta quando isso acontecer - explicou a promotora.
 

Fonte: Extra



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