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Piauiense, moradora do DF, completa 100 anos e é destaque

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Teresinha

12 de março de 2012 às 17:03


 Sentada com as pernas cruzadas, segurando o joelho com as mãos, com a pele fina e macia, marcada em sulcos e manchas pelo tempo, a piauiense Lydia Lemos Paraguaçú, 100 anos, conta sua trajetória de vida. Completa um centenário hoje. Sorri, balança o corpo para frente devagar enquanto rememora o passado como um quebra-cabeças, do qual ela conhece tão bem cada peça que não faz questão de montá-lo. Em vez disso, admira satisfeita as formas. Entre gargalhadas, acentuando o sotaque da terra natal que deixou há 59 anos, lembra a chegada a Goiânia (GO) em 1953 e, seis anos depois, ao Distrito Federal. Hoje, mora no Guará, com a sobrinha e filha de criação de mesmo nome, Lídia Lemos Paraguaçú, 60.

E, com tanto tempo de vida, a idosa esbanja energia. Caminha para onde quer, toma banho sozinha, adora festas e viagens e queria ter comemorado o aniversário no Santuário do Bom Jesus da Lapa, na Bahia. “Para agradecer ao Menino Jesus pelo tempo de vida que tenho. Era fácil. Só ir de avião. Mas minha filha não quis”, comenta. Enquanto conversa, permanece serena e sorridente, mas quando se irrita, gesticula com as mãos, sem tremer, e espalma os dedos para afirmar qualquer coisa. Com a audição já deficitária, olha com atenção para ouvir o outro conversar. “Ficar surda não tem nada de mais. Meu medo é ficar presa numa cama”, assume.

Lydia viu muita coisa passar nos seus anos de vida. A história mudou, o Brasil mudou. Mas, olhando para o passado, ela extrai lições, ideias e não se preocupa tanto com os fatos em si. Não que tenha esquecido o que aconteceu. Na verdade, para ela, o mais importante é o presente, onde está. Saudades, só das pessoas queridas que já partiram. O resto são aprendizados refletidos na alegria do agora. “Quando paro para pensar, nem acredito que estou fazendo 100 anos. Nem vi o tempo passar. Estava ocupada em viver. Às vezes acho que ainda tenho 80”, brinca. “Não tenho saudades de nada, não guardo mágoas. Não podemos guardar raiva no coração, se não ele adoece. Por isso, meu cardiologista sempre diz que meu coração é melhor que o dele”, ri.

Fonte: CB



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