QUADRO GRAVE
Dulce Luz
22 de dezembro de 2025 às 15:00
Dados oficiais revelam que 81% dos casos de agressão a menores acontecem dentro de casa, o que equivale a aproximadamente 13 vítimas por hora no país. As informações, compiladas pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e corroboradas pelo Atlas da Violência do Ipea, mostram um quadro grave. As notificações de violências não letais contra crianças e adolescentes no sistema de saúde atingiram um recorde em 2023, com um aumento de 36,2% em relação ao ano anterior.
O perfil da violência muda conforme a faixa etária. Bebês são as principais vítimas de negligência (61,4% dos casos). Crianças sofrem mais com violência psicológica (54,8%) e sexual (65,2%). Já os adolescentes são os mais atingidos pela violência física (58,2% dos registros).

A frequência é outro aspecto que chama a atenção. Em mais de 70% das situações reportadas, as agressões ocorrem diariamente. Em milhares de casos, o ciclo de violência já se arrastava por mais de um ano antes de uma denúncia formal ser feita.
Cenário pós-pandemia e consequências graves
Especialistas relacionam a intensificação do problema aos efeitos do isolamento social durante a pandemia de Covid-19. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou ao jornal O Globo que os lares brasileiros ficaram mais violentos após esse período, e a sociedade ainda lida com as consequências.
Esse ambiente de violência doméstica tem reflexos trágicos. O mesmo estudo do Ipea aponta um aumento de 42,7% nos suicídios de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos na última década (2013 a 2023), totalizando 11.494 mortes por essa causa no período.
Diante desse cenário, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos reforça que é dever de toda a sociedade ficar atenta e denunciar. O canal oficial e gratuito para relatar qualquer violação é o Disque 100. O serviço funciona 24 horas por dia, incluindo finais de semana e feriados, e garante o anonimato de quem faz a denúncia.
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