Teresinha
11 de julho de 2017 às 13:07
A posse de Rodrigo Maia como Presidente da República, após a queda, tida como “irreversível”, de Michel Temer, foi o prato principal do almoço de domingo (9), na casa do vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonen, no Lago Sul, em Brasília, onde os carros oficiais e particulares chegaram sem placas e entraram direto para a garagem para que seus ocupantes pudessem chegar e sair sem registro de imagem pelos jornalistas.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os deputados federais Benito Gama (PTB-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI), além do ministro Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia), participaram da reunião. Ao final do banquete, uma certeza: Temer não escapa da cassação.
Heráclito desconversou sobre o almoço, que estaria marcado há mais de um mês. Ele garantiu que não houve conspiração. "Era para ser lá em casa mas Tonet resolveu fazer na casa dele”. E defendeu o presidente da Câmara. "As pessoas estão vendo coisa onde não existe. Maia tem sido muito correto".
Heráclito Fortes, aliás, tem se especializado em participar desse tipo de encontro. O parlamentar foi o anfitrião dos vários jantares – dois por mês - em sua residência também no Lago Sul, em Brasília, quando foram articulados impeachment e a queda da então presidente Dilma Rousseff, entre abril de 2015 e abril de 2016.
Rodrigo Maia encerrou o domingo com mais uma reunião, que durou mais de cinco horas, desta vez na residência oficial do presidente da Câmara, quando serviu sopa – e pizza, que não podia faltar na mesa desse tipo de encontro. A reunião aconteceu pouco tempo depois de uma audiência com Temer, no Palácio do Jaburu.
Os ministros Antonio Imbassahy (Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), além do unipresentes Benito e Heráclito, e dos líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE), que foram comer sopa e pizza com o amigo, que a oposição já está chamando de "o Temer de Temer".
Em casa, Maia relatou aos presentes o diálogo, horas antes, com o próprio Michel Temer, quando disse ao presidente que ele podia sobreviver à votação da primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, mas que não escaparia da segunda.
Segundo Maia, o resultado da primeira votação em plenário certamente vai influenciar diretamente no placar da segunda, por conta do desgaste provocado na imagem de quem defende o governo, denunciado por corrupção, perante a opinião pública.
Maia também se queixou aos presentes, que ministros e aliados de Temer têm colocado à prova a sua lealdade, suspeitando dos encontros do presidente da Câmara com políticos que já estariam articulando um cenário pós-queda.