DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA
Isabel Fonseca (*)
15 de maio de 2026 às 10:33 ▪ Atualizado há 5 horas
O Dia Internacional da Família é celebrado anualmente em 15 de maio. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1993 para promover a conscientização sobre a importância dos núcleos familiares na sociedade e debater questões sociais, econômicas e demográficas que afetam essas estruturas.
Em meio às transformações sociais das últimas décadas, diferentes histórias mostram que os laços familiares vão muito além dos modelos tradicionais. Seja entre avós que assumem a criação dos netos, casais LGBTQIAPN+ com filhos ou famílias construídas pelo afeto, o que une essas pessoas é o cuidado, o respeito e a convivência.
Muito além do modelo tradicional
O professor de artes Adevildo Alves vive atualmente uma nova configuração familiar ao lado do companheiro e dos filhos. Para ele, a ideia de família mudou ao longo dos anos.
“Já percebi família como receita de bolo, com todos os ingredientes pré-selecionados. Hoje percebo família como espaço de acolhimento, crescimento, desenvolvimento, amor e troca”, afirma.
Adevildo destaca que construir uma família LGBTQIAPN+ ainda envolve desafios diante do preconceito estrutural, mas afirma que o respeito mútuo fortalece os vínculos.
O mais especial é que nos respeitamos, na pessoa, no espaço e nas escolhas.
Segundo Adevildo, os próprios filhos o ajudaram a ressignificar o conceito de família, mostrando que os laços familiares independem de aparência e estão muito mais ligados ao cuidado e à liberdade.
Novos formatos, mesmos laços
Outra história marcada pelo afeto é a de Lídia Café, avó que criou o neto ‘Luizinho’ desde a infância. Ela conta que os dois sempre tiveram uma relação próxima e baseada na parceria do dia a dia.
“Ele sempre foi um menino bom, gostava de me ajudar nas tarefas de casa. Nós sempre fomos muito unidos”, relembra.

Lídia também recorda o período difícil enfrentado pelo neto após a morte da mãe, quando ele ainda era criança. Segundo ela, Luizinho passou anos muito abalado emocionalmente, sem vontade de sair do quarto ou até mesmo se alimentar. A avó afirma que precisou encontrar forças para apoiá-lo durante aquele momento.
Ela conta que a maior alegria da convivência entre os dois foi perceber a recuperação do neto aos poucos, voltando a se aproximar da família, retomando a rotina e recuperando a vontade de viver.
Para Lídia Café, a família representa o centro da vida e sua principal razão de viver atualmente.
O que a Psicologia diz sobre família
O estudante de psicologia Thayldo Macedo explica que, para a psicologia, o que define uma família não é apenas o vínculo biológico. “Uma família é responsável por fornecer suporte emocional, proteção e auxílio no desenvolvimento da identidade de seus membros”, afirma.

Segundo ele, a ciência já reconhece diferentes estruturas familiares como legítimas e saudáveis.
A qualidade do vínculo é o que garante o bem-estar psicológico. Uma criança pode se desenvolver de forma saudável em qualquer configuração familiar em que haja amor, consistência e cuidado.
O estudante também destaca a importância de discutir diversidade familiar em datas como o Dia da Família, principalmente no ambiente escolar.
“Quando uma escola celebra o Dia da Família, ela valida a existência de crianças que vivem em realidades diferentes. Isso fortalece a autoestima e promove inclusão”, explica.
Mesmo com mudanças sociais e avanços legais, Thayldo afirma que ainda existe preconceito contra famílias consideradas fora do padrão tradicional, como famílias LGBT, mães solo e famílias adotivas.
Para os entrevistados, porém, o significado de família permanece ligado aos sentimentos de acolhimento, apoio e convivência — independentemente da formação do lar.
(*) Isabel Fonseca, estagiária sob supervisão da jornalista Malu Barreto
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