Mesa do Senado se cala sobre agressões contra Regina Sousa

Teresinha

23 de agosto de 2017 às 20:08


Senadora Regina Sousa (PT-PI)
Senadora Regina Sousa (PT-PI)

Dói mais a decisão condenável do colegiado do TJ "candango" que a logorreia de uma inconsequente que ofende enquanto defende os seus e os interesses de terceiros, numa mídia cada vez mais virulenta e nociva, que agride, machuca, extrapola e mata. As lágrimas da senadora Regina Sousa na tribuna do Plenário, durante a sessão de ontem (22), ao que parece, não sensibilizaram a Mesa Diretora da Casa, que até o começo da tarde desta quarta-feira (23) não manifestou uma posição, não disse um "A" sobre a decisão 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Alegando o direito à “liberdade de expressão” [xingar uma senadora de anta, gentalha analfabeta, cretina], os juízes – unânimes, não foi a posição individual de um magistrado - derrubaram a liminar que tirou do ar no Youtube, o vídeo em que a piauiense é chamada “anta, gentalha, semianalfabeta e cretina” por uma blogueira.

Regina Sousa recebeu a solidariedade de vários senadores, depois de chorar no Plenário do Senado, ontem, lamentando que um colegiado do Judiciário considere normal uma pessoa ser ofendida na sua dignidade.

O senador Paulo Paim (PT-RS), vice-presidente da Comissão de Direitos Humano, da qual Regina Sousa é presidente, lembrou não é a primeira vez que Regina Sousa enfrenta esse tipo de agressão.

Lágrimas
Lágrimas  

“Fico pensando o que passa na cabeça de um colegiado que aceita que é normal, numa crítica, as pessoas fazerem isso [chorando]. Fico pensando que esse tribunal acha que eu sou mesmo gentalha, analfabeta, anta. Só pode”, lamentou a senadora piauiense.

“Se precisarmos ir à Justiça para isso, esse é o papel da Mesa Diretora, falar por todos nós. Também da nossa Comissão de Diretos Humanos. Conte comigo para estar à frente dessa trincheira”, solidarizou-se Simone Tebet (PMDB-MS), que avaliou as ofensas a Regina Sousa como racistas. “Conheço a dor da injustiça. Mas não posso avaliar o tamanho da dor de ser avaliada e analisada pela cor da pele”.

A solidariedade dos senadores
A solidariedade dos senadores

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse do orgulho de compartilhar o Plenário do Senado com Regina Sousa. “Isso [o preconceito] é algo primitivo e muito triste. As redes vieram para nos aproximar mas, dependendo do mau uso, ela nos afasta”, disse o senador, criticando o uso dessas redes sociais por “pessoas que não são figuras humanas e, sim, monstros que agridem pessoas”.

Marta Suplicy (PMDB-SP) ressaltou que num País onde 52% da população é negra, não é admissível que aconteçam agressões desse tipo.

Solidariedade dos senadores
Regina Sousa com Marta Suplicy

“Desde menina que eu sou lutadora e não vai ser ninguém que vai me transformar no que eu não sou. E eu serei sempre esta aqui. Meu jeito de falar, meu jeito de vestir, meu cabelo enrolado... Ninguém vai mudar isso”, avisou Regina.

Outra piauiense, Monalysa Alcântara, mesmo sem mandato, passou a ser hostilizada desde que venceu o Miss Brasil, na madrugada do domingo (20), pelo mesmo bairrismo, preconceito e racismo, que magoou e fez chorar a senadora. Nascidas num estado pobre, com a mesma origem humilde, essas duas negras, de quem o Piauí sente muito orgulho, têm mais incomum do que podem imaginar as pessoas que lhes atacam: a dificuldade, a dor... sempre foram o combuistível para a superação. 

Temos convicção de que se não for preconceito - no mínimo o dano moral está configurado – chamar a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal de “anta”, “gentalha”, “analfabeta” e cretina” [pela cor da pele, pelo cabelo crespo... pela origem humilde], não há mais homofobia, injúria racial, não há mais nada. Podem fechar o cabaré, a casa de "mãe joana", onde todo mundo manda. Demite o Executivo, fecha o Congresso, acaba com o Judiciário. O Brasil, já faz tempo, virou "zona".



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