Ao exaltar a criatividade do trabalhador diante de 13 mil pessoas, o presidente Lula criticou, em discurso no distrito industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, os governos anteriores por não terem investido o suficiente em educação.Segundo ele, em 93 anos de república, os seus antecessores criaram apenas 140 escolas técnicas, enquanto ele deixará, depois de oito anos, 214 novas escolas técnicas, 10 universidades federais e 48 extensões universitárias. Lula disse que não tem diploma universitário porque aos 14 anos precisou trabalhar numa fábrica, mas lembrou a importância que tem na vida uma carteira de trabalhador em que está anotada uma profissão. Graças ao fato de ter a profissão de metalúrgico, ele disse que pôde comprar casa, carro, televisão. "Parece que as pessoas que governavam já tinham tido sua oportunidade, para que dar oportunidade para os outros?", questionou. Repetiu que não pode errar porque, ao deixar o governo, seus amigos serão os trabalhadores: "Eu, quando deixar a presidência da República, eu não vou para Paris ou para Londres, eu vou para são Bernardo, morar a 800 metros do sindicato", enfatizou, procurando estabelecer uma comparação, sem fazer referência, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Porrada não educa O presidente exaltou os operários brasileiros, dizendo que "não existe face da Terra trabalhador mais versátil e criativo do que o trabalhador brasileiro". Lula disse criticou o que classificou de notícias negativas: " Muitas vezes a gente só vê notícia de que bandido matou um ao outro, de bala perdida, e tem mais não sei das quantas, mas uma foto como essa mostra claramente que 99 por cento do povo brasileiro é gente boa, gente honesta, gente decente, que tem família e quer trabalhar". Lula disse que os governos precisam fazer sua parte e criar oportunidades, em referência a uma trabalhadora que é mãe solteira: "Se o estado não oferece, se as empresas não oferecem, e as prefeituras não oferecem, o crime organizado oferece, a bandidagem oferece. Então tem que ter uma disputa constante com o estado brasileiro fazendo aquilo que tem de fazer". Afirmou que, na semana que vem, estará de novo no Rio de Janeiro para visitar, sem intervenção da polícia, o Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha "pra levar investimentos de milhões e milhões pra fazer casa, escola, rua, hospital, água e esgoto". E lembrou que a prisão não funciona: "Se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo", acrescentando que "o que educa as pessoas são oportunidades, são gestos de solidariedade e as pessoas acreditarem que amanha terão oportunidade".Ele encerrou com uma crítica ao ex-governador Anthony Garotinho, dizendo que o Rio de Janeiro perdeu quatro anos porque não havia com quem fazer acordo no estado.
Fonte: UOL