Um túmulo em um cemitério encravado em pleno semiárido do Piauí está levando a Polícia deste Estado a investigar se grupos criminosos estão se expandindo e criando células para fugir dos grandes centros onde já são considerados “manjados” ou mesmo diversificando os lugares para cometer mais delitos.
O que acendeu uma luz amarela na Polícia Militar foram as inscrições “Vida Louca e 1533”, na lápide do túmulo de um homem identificado apenas como Valdir sepultado no cemitério do povoado Juazeiro do Secundo, no município de Jacobina do Piauí, na região de Paulistana.
Para quem é acostumado a combater a bandidagem, a expressão “Vida Loka” (no túmulo está grafado com o português correto), significa uma pessoa que leva uma vida perigosa para dar o sustento da familia , ou seja, no crime mesmo, uma vida errante, as margens da lei, sem medida das conseqüências.
Em Teresina, em cadeias e até Centro Educacional Masculino (CEM), para aonde vão os adolescentes em débito com a lei, a expressão “Vida Loka” é bastante conhecida e usada pelos internos.
Já os números grafados após a expressão Vida Louca é um código conhecido pela Polícia de todo o País e presente na maioria dos presídios do Rio de Janeiro e São Paulo para designar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior grupo organizado de criminosos do País controlado de dentro dos presídios brasileiros.
Segundo apurou a reportagem os algarismos correspondem a sigla PCC conforme as letras aparecem no alfabeto. Basta pegar o alfabeto e contar as letras até o 15 para perceber que o P é a correspondente a este número e o três corresponde ao C (A,B,C... etc).
O caso estava, até na semana passada com o capitão Felipe, comandante da Companhia da Polícia Militar em Paulistana, mas segundo informações obtidas pela reportagem com jornalistas daquela região que pedem para o nome não ser divulgado, pois temem represálias futuras, a Juíza do município já foi comunicada pela PM, e inclusive já recebeu material produzido nas investigações, como fotografias do túmulo de Valdir.
Não só os jornalistas ouvidos pela reportagem, mas diversas outras pessoas que não são do Juazeiro do Secundo evitam falar sobre o assunto e até mesmo visitar o cemitério onde Valdir está enterrado. Acreditam que além dele, outras pessoas igualmente pertencentes ao PCC e bandidos assumidos, possam saber e matá-los.
HISTÓRIA
A Polícia de Paulistana não divulgou o que descobriu sobre a pessoa de Valdir. No seu túmulo, considerado luxuoso para o padrões da região, há uma foto dele sentado em uma cadeira e uma bandeira do São Paulo Futebol Clube, um dos grandes times brasileiros, o “Tricolor do Morumbi”. Quando morreu Valdir estava com 37 anos e coincidentemente hoje(19) fazem oito anos do seu assassinato em 2005.
Muitas pessoas ainda lembram dele sempre que ia a Paulistana. Segundo informações obtidas pela reportagem, Valdir era mais um dos milhares de piauiense que deixaram o seu estado natal para tentar uma vida melhor em São Paulo.
Para alguns moradores, o êxodo dele talvez não tenha sido por opção, mas fugindo de um crime que teria cometido. O fato é que ao retornar à cidade tempos depois, ele estavam acompanhado de outros amigos que muitos moradores achavam que fossem seus guardas-costas.
As conversas ouvidas pelas ruas de Paulistana são de que Valdir era um sujeito amável, falava com todo mundo e costumava pagar as contas das pessoas nos bares que freqüentava. Um dia quando ele se encontrava na feira da cidade foi emboscado por dois homens que estavam em uma moto e morreu crivado de balas no meio da rua.
Conforme contam os moradores, Valdir teria sido vítima de uma vingança. O filho do homem que ele havia matado, que na época era criança, resolveu fazer justiça com as próprias mãos e ajudado por um amigo.
Após o episódio, quem ajudou o homem a matar Valdir também tombou crivado de balas, com exceção de uma mulher que ainda vive na cidade. Um sobrinho de Valdir, também supostamente ligado ao PCC teria se encarregado disso.
Primeiro morreu o próprio filho da vítima de Valdir, depois uma mulher ex-vereadora de Petrolina, que teria escondido a dupla. Em seguida o carona da moto também morreu. Um dos acusados de matar o carona deverá ser julgado em breve.
Fonte: Da redação