REDES SOCIAIS
Gilson Rocha
22 de abril de 2026 às 08:47 ▪ Atualizado há 14 horas
A Polícia Civil de São Paulo investiga o influencer Jefferson de Souza, de 37 anos, suspeito de manipular imagens de jovens evangélicas por meio da Inteligência Artificial (IA). As publicações foram feitas no YouTube, onde o acusado mantém o canal "Humor do Crente", com mais de 11 mil inscritos, além de perfis no Instagram, no Facebook e no TikTok. Os vídeos misturam imagens das vítimas com cenas de mulheres com pouca roupa e conotação sexual. Embora tenha negado as acusações em depoimento à policia, o humorista, que atende por Sílvio Souza nas redes, chegou a pedir desculpas em vídeo.
Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando", diz o influencer, cuja identidade digital faz alusão ao apresentador Sílvio Santos. "Eu confesso que errei na minha forma de falar."
O inquérito foi aberto em fevereiro após uma estudante de 16 anos e seus pais procurarem a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste da capital paulista. A jovem alega que teve a imagem erotizada e alterada sem permissão. O caso foi registrado como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena prevista é de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. No vídeo produzido, a vítima dança de forma sensual dentro de uma igreja da Congregação Cristã do Brasil (CCB).
O que diz o influencer
Em algumas gravações, o acusado veste uma camiseta com o símbolo do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), fazendo uma paródia com as letras da emissora ao se definir como: "Sou Borracheiro, Trabalhador". As imagens do apresentador Ratinho e de Sílvio Santos também foram utilizadas nas postagens. Em depoimento à polícia, o humorista admitiu usar as fotos de jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil e ferramentas do TikTok para animar e manipular as imagens, transformando-as em vídeos, e que o "porte físico" da adolescente de 16 anos que o denunciou na delegacia o levou a acreditar que ela fosse "uma pessoa adulta".
De acordo com Jefferson, "a crítica associada à postagem representava sua opinião pessoal de que determinadas fotografias não seriam adequadas dentro da doutrina da igreja". Afirmou ainda que acreditava que o uso da imagem não causaria problemas por já estar disponível na internet. Segundo a advogada Núria Lopes, em casos como o do vídeo em questão, quem o produziu com a ajuda de IA é legalmente responsável pelo conteúdo que produziu, assim como as pessoas que curtem e compartilham, ajudando a disseminá-lo. “Não dá para o investigado dizer que não tinha a intenção de ofender se as ofensas forem claras".
Algumas das postagens contras as evangélicas foram retiradas recentemente pelo influencer ou pelas empresas de tecnologia, que se manifestaram em apoio a adoção de medidas legais cabíveis por parte das autoridades a respeito das pessoas envolvidas. Em nota, a Congregação Cristã do Brasil, afirmou que não possui registro de Jefferson Souza como membro. A polícia continua trabalhando para identificar as outras vítimas do influenciador.
Fonte: G1
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