Teresinha
03 de agosto de 2017 às 18:08
Quem acompanhou, ontem (2/8), a votação na sessão ordinária de votação, que durou mais de 12h, na Câmara dos Deputados, além do racha da base governista, com partidos totalmente divididos - PSDB (22 a 21), PSB (11 a 22), PSD (22 a 14), PP 37 a 7) - assistiu a uma pantomima, um festival de dissimulação e frases feitas, ouviu os argumentos os mais estranhos, pífios, completamente desconectados do motivo da votação – a acusação da Procuradoria Gebral da República de corrupção passiva contra Michel Temer. À exceção do deputado Marcelo Castro (PMDB), a bancada do Piauí também apareceu para votar. Mas antes justificou o voto. Foram seis a favor de Temer, três contra e uma ausência.
“Há uma mala cheia de dinheiro, há conluio com Rodrigo Rocha Loures. Afinal de contas, se mala cheia de dinheiro não for motivo suficiente para se processar alguém, o que mais seria?”, levantou a questão o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB).
“Sou a favor de as pessoas serem tratadas de forma igual. Quero um país longe da corrupção, por isso sou contra esse relatório” [...] “O que atrapalha o Brasil é a corrupção e a impunidade”, repetiam os deputados de oposição. “Voto pela mudança que está acontecendo neste país”[...] “Pelo progresso do Brasil e pela recuperação do emprego”, rebatiam os governistas.
Liberdade religiosa, ideologia de gênero nas escolas brasileiras [...] foram argumentos desconexos, isto é, totalmente fora do contexto da votação, que acabou com Temer livre da acusação de corrupção, com apoio de 263 deputados. Os votos contrários foram 227, duas abstenções e 19 ausências. A oposição, que precisava de 342 votos para autorizar a continuidade da denúncia e das investigações e a votação de Temer no Supremo Tribunal Federal, teve que engolir mais uma derrota, como aconteceu com a reforma trabalhista. Outras estão a caminho.
Nossa vez
Já passava das 19h quando chegou a vez dos piauienses. Uma a um, os deputados do Piauí foram ao microfone, justificaram a decisão e votaram. O que disse cada um? Heráclito Fortes (PSB) repetiu que queria um país livre e argumentou que o "Brasil precisa de paz". Iracema Portela (PP) disse faltar "consistência” à denúncia. Júlio César (PSD) alegou a recomendação do partido, mas citou a melhoria dos indicadores econômicos do país. Mainha (PP) não viu prova “irrefutável” e disse que "ser parlamentar não é ser manipulável". Paes Landim (PTB) não encontrou fundamento ou consistência na denúncia contra Temer. Todos votaram pelo arquivamento.
Votando pelo não, o deputado Rodrigo Martins (PSB) disse que quer ver o "Brasil passado a limpo". Silas Freire (PODEMOS) cobrou transparência e Assis Carvalho (PT), que abriu a votação da bancada, sugeriu que Temer fosse fazer companhia a Eduardo Cunha na prisão.
