O Democratas exige "esclarecimentos convincentes" do governador do Ditrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para as denúncias de cobrança de propinas a empresas fornecedoras de produtos e serviços para o governo local e pagamento de mensalidade a deputados aliados na Câmara Legislativa.Em nota, os dirigentes do DEM, afirmam ainda que aguardam também manifestação oficial do governador, que não se pronunciou ainda sobre as denúncias. "As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, exigem esclarecimentos convincentes. O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar", diz a nota do partido. Diferentemente das notas oficiais do DEM, essa foi assinada não apenas pelo presidente nacional, deputado Rodrigo Maia (RJ), como é de praxe, mas também pelos líderes do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), e no Senado, José Agripino Maia (RN). Desde sábado, dirigentes e líderes do DEM desembarcam em Brasília para buscar contatos com Arruda e ouvir dele explicações. A nota foi divulgada nas últimas horas da noite de sábado. A expectativa dos dirigentes era obter esclarecimentos do governador neste domingo. Sem os "esclarecimentos convicentes", o comando do DEM considera insustentável a permanência de Arruda no partido e até mesmo no cargo. Neste domingo, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, também considerou "gravíssimas" as acusações contra Arruda. Britto defendeu a saída de Arruda do governo e quer seu impeachment. No sábado, a OAB-DF já anunciara a possibilidade de pedir o impeachment do governador. - A imagem do governador sentado em uma cadeira recebendo um pacote de dinheiro é devastadora - disse Cezar Britto, referindo-se às imagens da Rede Globo que mostram Arruda, então candidato a governador em 2006, recebendo um maço de dinheiro do presidente da Codeplan e seu futuro secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa Rodrigues (Assista no Blog do Noblat). Na gravação, Arruda aparece sentado no sofá na sala do gabinete de Durval, no 10º andar do prédio anexo do Palácio Buriti. Ele está sem terno, sentado de forma relaxada, quando Durval surge no vídeo e lhe entrega o dinheiro. Segundo investigação da PF, com gravações autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Arruda, já como governador, comandava uma "organização criminosa" que arrecadava dinheiro de empresas com contratos com o governo do DF e distribuía os recursos mensalmente para deputados aliados, integrantes do governo e para o próprio governador ( Noblat: Futuro de Arruda está numa fita de vídeo) . Após a divulgação das imagens, o advogado José Gerardo Grossi, que defende Arruda, disse que aquele dinheiro foi usado para a compra de panetones a serem doados no Natal. Para o dirigente da OAB, a acusação da Polícia Federal contra o governador é "extremamente grave" e, se confirmadas as denúncias, a única saída é o impeachment. Britto comparou o episódio de Arruda ao do ex-presidente Alberto Fujimori, do Peru. - Lembra muito um caso de corrupção envolvendo o ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, e seu ex-chefe de Inteligência, Vladimiro Montesinos. Fujimori foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por ter pago US$ 15 milhões ilegalmente a Montesinos, em setembro de 2000, depois de estourar um escândalo de corrupção no país - disse. " Fujimori foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por ter pago US$ 15 milhões ilegalmente a Montesinos, em setembro de 2000, depois de estourar um escândalo de corrupção no país "O presidente da OAB lembrou que esta não é a primeira vez que Arruda é envolvido em escândalo. Em 2001, ele teve que renunciar ao mandato de senador no episódio do painel de votação eletrônico. Arruda chegou a chorar na frente das câmeras de televisão na ocasião dizendo que "não matei, não roubei e não desviei recursos públicos". Em 2001, quando foi acusado de violar o painel eletrônico de votação do Senado, Arruda também teve uma estratégia inicial de ficar no cargo. Foi até a tribuna da Casa e jurou pelos próprios filhos que era inocente. Quando as evidências se avolumaram, acabou renunciando. Britto reúne-se nesta segunda-feira com direção da OAB do Distrito Federal para discutir o escândalo envolvendo Arruda. Neste sábado, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou em seu perfil no twitter que não concorda com o impeachment do governador: "Não defendo o impeachment do Arruda. Defendo que as investigações sejam feitas, com serenidade, sem baixaria.", disse. A oposição quer ainda instalar uma CPI para investigar o escândalo e abrir processos por quebra de decoro contra quatro deputados supostamente envolvidos no caso.( Noblat: Roriz está eufórico )
Fonte: O Globo