Ministro Luiz Fux toca guitarra e canta Tim Maia
Ignorando documento de sua própria autoria em que afirma estar impedido de julgar processos do escritório do advogado Sergio Bermudes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux relatou três casos e participou de julgamentos de pelo menos outros três de interesse do grupo, conforme levantamento feito pelo Estado em documentos oficiais da Corte. A filha de Fux, Maríanna, é uma das advogadas do escritório. Os processos pesquisados têm como advogado principal o próprio Sérgio Bermudes. Em dois desses julgamentos, na 2ª Turma do STF, Fux acompanhou o voto de colegas a favor dos interesses defendidos por Bermudes. Em outras duas ocasiões as decisões colegiadas foram contrárias aos interesses dos clientes do advogado. Ele comandou ainda a análise de três processos como relator.
A relação de Fux e Bermudes ganhou destaque na semana passada quando o advogado anunciou que bancaria uma festa para comemorar os 6o anos do ministro, evento que reuniria centenas de magistrados, advogados e políticos, mas que acabou cancelado. Uni dos convidados foi o governador do Rio, Sérgio Cabral Caberá a ele a escolha de novos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. A filha de Fux é uma das candidatas.
Ações não envolvem questões relevantes, argumenta Luiz Fux
O ministro Luiz Fux afirmou que os processos que julgou não envolveram questões relevantes. “Passaram despercebidos num confronto com milhares de processos”, disse. Ele argumentou que caberia à Secretaria Judiciária fazer a triagem dos processos e impedir que chegassem a seu gabinete. “Mandei memorando dizendo que estava impedido.” Fux disse ainda os processos julgados na 2§ Turma foram incluídos numa lista e julgados todos de uma vez. Caberia aos ministros relatores, afirmou, apontar que ele não poderia participar. “Eventual participação do ministro Fux em processo no qual estaria impedido decorreu de falha na conferência dos impedimentos”, informou a assessoria do ministro.