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Foram sacados R$ 2 milhões por Fernando, filho do senador José Sarney

Piauí Hoje

Teresinha

10 de fevereiro de 2008 às 03:02


A Polícia Federal investiga saques em dinheiro vivo de R$ 3,5 milhões ligados a empresas e a uma pessoa da família Sarney no período eleitoral de 2006. O Ministério Público Federal também apura o caso. Foram sacados R$ 2 milhões por Fernando, filho do senador José Sarney (PMDB-AP), nos dias 25 e 26 de outubro (R$ 1 milhão em cada dia). Entre o final de setembro e outubro daquele ano, foram sacados mais de R$ 1 milhão da conta do Sistema Mirante de Comunicação, afiliada da Globo e principal empresa da família Sarney, da qual Fernando é um dos dirigentes. O segundo turno da eleição foi no dia 29 de outubro. Investigadores ouvidos pela Folha dizem suspeitar de financiamento ilegal de campanha. O inquérito aberto pela PF está sendo conduzido pela sede do órgão em Brasília. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) gerou um relatório sobre as transações. Fernando Sarney nega qualquer irregularidade ou que as transações tenham conexão com campanha política e diz que tantos os saques feitos por ele quanto os do Sistema Mirante foram devidamente registrados e lançados no seu Imposto de Renda ou na contabilidade da empresa. Ele não foi candidato a nada em 2006. A PF investiga três grupos de transações. Em 24 de outubro, o empresário Eduardo Carvalho Lago fez transferência de R$ 2 milhões para a Gráfica Escolar, da qual Fernando é sócio. No mesmo dia, a gráfica fez um depósito no mesmo valor para Eduardo. No dia seguinte Eduardo fez nova transferência de R$ 2 milhões, desta vez para a conta pessoal de Fernando, que sacou todo o dinheiro naquele dia e no dia seguinte. Paralelamente a essas operações, entre o final de setembro e o final de outubro foram feitos saques superiores a R$ 1 milhão, em dinheiro vivo, da conta da TV Mirante por Tereza Cristina Ferreira Lopes e Carlos Henrique. Segundo Fernando Sarney, ambos são funcionários do Sistema Mirante. O último saque da conta da empresa coincidiu com uma retirada de R$ 100 mil da conta da São Luiz Factoring e Fomento Mercantil, que pertence a Tereza Murad, mulher de Fernando Sarney. O saque também foi feito por Tereza Cristina Ferreira Lopes. Os investigadores apuraram que o empresário que emprestou os R$ 2 milhões a Fernando Sarney, Eduardo Carvalho Lago, responde a processos por não-recolhimento de contribuição previdenciária ao INSS, negociação de títulos sem lastro, formação de quadrilha e estelionato. A PF confirma que há inquérito, mas que não pode dar esclarecimentos porque ele corre em segredo de Justiça. A explicação foi repetida pelo Ministério Público Federal no Maranhão e pelo Coaf. Não é a primeira vez que a família Sarney é envolvida em movimentação de dinheiro vivo. Em 2002, a PF encontrou R$ 1,34 milhão na Lunus, empresa de Roseana, irmã de Fernando e então pré-candidata à Presidência, e Jorge Murad, irmão de Tereza, mulher de Fernando. O dinheiro foi devolvido à família porque a PF não provou nenhuma ilegalidade no caso. Outro lado O empresário Fernando Sarney disse, em entrevista à Folha, que "estão querendo" dar uma conotação política a um trabalho de investigação de natureza fiscal. Ele não especificou quem teria esse interesse. Fernando contou que os R$ 2 milhões que recebeu do empresário Eduardo Carvalho Lago foi a título de empréstimo, num contrato de mútuo "devidamente registrado em cartório" e lançado em sua declaração do Imposto de Renda do ano passado. Segundo ele, foi apenas um depósito. Contou que o empresário, por equívoco, depositou o dinheiro na conta da Gráfica Escolar. Ao constatar o erro, Fernando disse ter ordenado que a gráfica estornasse o dinheiro para Eduardo, para que ele pudesse, então, fazer a transferência diretamente para a conta pessoal de Fernando. "Foi uma transação entre duas pessoas físicas, registradas. Não teve nada de ilegal, de irregular", disse. Questionado qual era a razão dos saques em dinheiro, Fernando disse que era uma questão de interesse privado dele. Segundo Fernando, o Sistema Mirante de Comunicação movimenta mais de R$ 100 milhões por ano. Como são empresas de jornalismo, com muitas viagens de repórteres, a necessidade de saques em dinheiro é algo corriqueiro. Afirmou que as duas pessoas que sacaram os recursos são do departamento financeiro da empresa. "Foram lá [ao banco] e fizeram as transações normalmente, apresentaram suas identidades. Não tem nada de errado nisso." Fernando admitiu que ouviu "ruídos" de que autoridades encarregadas da investigação suspeitam de que os recursos tenham sido usados em financiamento ilegal de campanha. "Isso não tem o menor cabimento. Não sou político, não disputei cargo nenhum. É uma investigação de natureza fiscal", disse. Fernando contou que teve de entrar com mandado de segurança no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para poder ter consultar o processo. Disse que está tendo acesso ao processo aos poucos e que por isso não gostaria de estender as explicações sobre o caso. A reportagem não conseguiu localizar o empresário Eduardo Carvalho Lago.

Fonte: Folha Online



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