O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Teresina (SINDUSCON) realiza, nesta segunda-feira (13), às 8h no Metropolitan Hotel, o seminário “Sanear é Viver: Construindo uma política de saneamento básico para o Piauí”, que tem o objetivo de discutir políticas de saneamento básico para o Piauí.
Segundo o presidente do SINDUSCON, André Baia, a ideia da realização do evento surgiu com a preocupação de diversos setores com a falta de crescimento do Estado. E um dos motivos é a falta de saneamento básico para a comunidade. Na capital e em todas as cidades do interior, é comum encontrar bairros sem rede de esgoto ou coleta de lixo. Além dos riscos ao meio ambiente, o despejo de esgoto sem tratamento traz um grande risco a saúde pública.
O evento realizado pelo Sindicato contará com a participação do presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), Roberto Tavares, que também é presidente da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (AESBE). Durante o Encontro, Roberto Tavares explicará como foi a instalação da Parceria Público Privada (PPP) no sistema de abastecimento de água no estado do Pernambuco, exemplo de sucesso no Brasil.
A instalação da PPP no Piauí ainda é um tema que gera muitas discussões e controvérsias.
Em Nazária, município ao lado de Teresina, nenhuma das casas dos 8.200 moradores possui esgoto tratado e os banheiros nos bairros mais pobres são improvisados. A sujeira que sai das moradias fica depositada nas ruas ou nos quintais. “Nazária é só um dos 204 municípios que não tem serviços de esgoto no Piauí. Somente 20 cidades do Estado possuem algum tipo de esgotamento sanitário. Em Floriano, por exemplo, uma das principais cidades da região Sul é possível ver ruas tomadas pelo mato ou com água suja escorrendo pela via pública”, disse André Baia.
Já a capital Teresina possui um sistema de esgoto que foi construído no final dos anos 90, mas que cresce devagar, mais lento que a expansão da cidade. Atualmente, somente 21% das casas são beneficiadas por essa rede de saneamento básico. “Com toda esta situação, como construir novas moradias para a população, sem a infraestrutura necessária?”, indaga o presidente do SINDUSCON.
Há um consenso mundial sobre o impacto da universalização do saneamento básico tanto para acelerar o crescimento econômico, social e ambiental de qualquer país, quanto para minimizar os problemas de saúde da população. Cerca de 2,6 bilhões de pessoas vivem sem esgoto no mundo; anualmente, 1,5 milhão morrem por causa de água contaminada ou doenças associadas à falta de saneamento.
Estima-se que 75% dos casos de internação de crianças em Teresina estão ligadas à falta de saneamento básico. Prejuízos à saúde dos moradores e a economia da cidade. Sem sistema de esgoto Teresina não cresce. “Em Teresina nós temos grandes áreas sem ocupação. Isso é péssimo para a parte urbanística da cidade. Quando não se tem saneamento básico nós não conseguimos construir um prédio de 20 andares ou de 10, por exemplo, pois nós não temos onde lançar o efluente que este prédio vai gerar”, explica o presidente do SINDUSCON, André Baia.
No Brasil como um todo, os dados são alarmantes: segundo o Instituto Trata Brasil sete crianças morrem todos os dias vítimas de diarreia e 700 mil pessoas são internadas a cada ano nos hospitais públicos devido à falta de coleta e tratamento de esgoto. Mais de 100 milhões de brasileiros não dispõem e rede de coleta de esgoto sanitário. 48 milhões usam as antigas fossas sépticas. Nas zonas rurais a coleta atinge apenas 4% da população. A recém divulgada pesquisa - Trata Brasil: Saneamento e Saúde - realizada pela Fundação Getúlio Vargas revela que a falta de saneamento básico no Brasil é uma questão que deveria ter sido resolvida no século passado e que atualmente atinge 47% da população brasileira, sendo as crianças entre 1 e 6 anos as principais vítimas.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal prevê R$ 40 bilhões - ou R$ 10 bilhões ao ano - até 2010 para a construção de redes de água e esgoto. No entanto, para atingir a meta de acabar com o déficit atual de saneamento básico, estima-se que o País terá de investir R$ 220 bilhões, diluídos em 20 anos.